Autocarros: Rede Expressos vai ter a concorrência de gigante alemão dos transportes

Liberalização do transporte rodoviário entre cidades portuguesas abre a porta à entrada do gigante alemão FlixBus. Rede Expressos garante estar preparada.

Os mais de seis milhões de passageiros que todos os anos utilizam autocarros expresso em Portugal vão ter mais opções no final do ano: a partir de 4 de dezembro, o mercado doméstico será liberalizado e qualquer operador poderá fazer viagens entre cidades portuguesas. A portuguesa Rede Expressos, que domina este mercado, vai passar a ter concorrência e o gigante alemão FlixBus deverá ser o maior adversário.

"Há vários anos que sabíamos que o mercado português ia ser liberalizado. Estamos preparados", assegura ao DN/Dinheiro Vivo Martinho Santos Costa, administrador da Rede Expressos. A empresa detida pelo Grupo Barraqueiro também lembra que "houve sempre a preocupação de servir a totalidade do país: vamos a Castelo Branco, Portalegre, Abrantes, Odemira... A nossa arma é servir todas as capitais de distrito e, mesmo nos períodos de crise, nunca cortámos oferta nos percursos com prejuízos".

Atualmente, o serviço expresso só está autorizado para as empresas de transporte coletivo de passageiros que já explorem carreiras no serviço público regular, ao abrigo do regulamento de transportes em automóveis. Estas licenças, contudo, vão caducar no dia 3 de dezembro. No dia a seguir, entra a nova legislação, aprovada no Conselho de Ministros de 22 de agosto.

As empresas que quiserem realizar o serviço expresso terão de pedir autorização ao IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes, que terá até 45 dias para verificar todos os requisitos. Os candidatos terão de ter alvará ou licença comunitária para transporte de passageiros em veículos pesados, autocarros homologados para o efeito, motoristas certificados e garantir que têm autorização para usar interfaces ou terminais, segundo a proposta a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso. As licenças atribuídas pelo IMT serão válidas por cinco anos.

Atualmente, o serviço expresso só está autorizado para as empresas de transporte coletivo de passageiros que já explorem carreiras no serviço público regular

A alemã FlixBus prepara-se para concorrer diretamente com a Rede Expressos, dois anos depois de ter iniciado as viagens entre Portugal e o estrangeiro. "O acesso livre de todos os operadores a um mercado que se encontrava bloqueado traduzir-se-á em melhor qualidade do serviço, permitirá a modernização do ecossistema português de transporte de longa distância e, acima de tudo, beneficiará muito positivamente aqueles que são sempre os últimos beneficiários de qualquer sistema de mobilidade: os passageiros", adianta fonte oficial da empresa.

Fundada em 2013, a FlixBus está presente em 30 países na Europa e também nos Estados Unidos. Só no ano passado, vendeu cem milhões de bilhetes e levantou 500 milhões de euros em financiamento privado. É detida pela holding Flixmobility - avaliada em mais de dois mil milhões de euros -, que também já lançou um serviço ferroviário na Alemanha e terá, em breve, uma plataforma de boleias (FlixCar).

No plano teórico, as empresas que entrarem em Portugal poderão fazer as rotas que entenderem, de norte a sul do país. Mas pode não ser assim na prática: "As viagens Lisboa-Porto serão as mais tentadoras. Mas duvido que apareça alguém para fazer viagens a partir de Portalegre, por exemplo", antecipa o líder da Rede Expressos.

Fora da batalha pelos expressos está a Arriva, que detém a TST e os autocarros de Guimarães e de Vila Nova de Famalicão. "O serviço expresso não é uma das primeiras prioridades, uma vez que a especialização em Portugal está mais direcionada para o serviço urbano em regime de contratação pública. Temos como prioridades o serviço urbano rodoviário e o serviço ferroviário, caso ele seja aberto a novos concursos públicos, e olhando a liberalização do setor como uma potencial oportunidade."

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.