À procura de petróleo do Porto a Peniche

Numa edição que dava também conta dos casos de cólera que geravam pânico em Itália, fazia-se destaque da prospeção de petróleo em Portugal

Joana Petiz

Durante três anos, três grupos empresariais iam dedicar-se à procura de "petróleo no litoral do Portugal Europeu". A notícia fazia destaque desta edição do DN datada de 1 de setembro de 1973, onde se anunciava que seria gasto um milhão de contos na prospeção a realizar-se no Porto, Figueira da Foz, Aveiro e Peniche.

"O ato que celebramos é um elo apenas da cadeia de esforços ingentes em que o governo de Marcello Caetano se vem empenhando para construir na paz e na justiça o futuro da nação, salientou o secretário de Estado da Indústria na assinatura dos contratos de concessão", lia-se no DN. As concessionárias escolhidas, a quem cabia a prospeção, pesquisa, desenvolvimento e exploração de petróleo na plataforma continental metropolitana, eram três grupos do ramo: Shell-Sacor, Esso e Sun-Amerada-Philips haviam sido escolhidas para "explorar os eventuais recursos petrolíferos que tudo indica existirem em 11 das 33 áreas em que está dividida essa plataforma", contava o jornal, explicando ser essa atividade "de extraordinária repercussão e do maior interesse para a economia do país, procurando no mar uma nova fonte de riqueza".

Parecia Portugal adivinhar então que apenas um mês mais tarde rebentava a crise petrolífera que faria o preço do crude disparar dos 3 para os 12 dólares por barril. A empreitada acabou porém por não ir em diante.

Nessa mesma edição do DN em que a Direção-Geral de Saúde anunciava conselhos de "rigorosa higiene" como a melhor forma de prevenção, dava-se conta de um surto de cólera que assustava Itália. O aumento dos casos registados gerava "um certo pânico", escrevia o repórter, relatando como as populações se manifestavam "contra a lentidão das medidas profiláticas" e em consequência "o limão e a cânfora atingiam preços proibitivos no mercado negro".

A doença provocara já nove mortes em Nápoles, registando-se 154 internamentos. As praias estavam desertas e os "estabelecimentos balneares encerrados na região, depois de as autoridades proibirem os banhos a fim de evitar a propagação da cólera". A epidemia deixaria uma marca negra na vida daquele país, chegando a ultrapassar os mil casos e até 24 mortes. A causa apontada seriam os mexilhões importados da Tunísia, mas a falta de condições de higiene terá ajudado a propagar a doença, que chegou a Palermo, Bari, Cagliari e Barcelona.