Premium A obra integral de Straub e Huillet na Cinemateca

A programação de setembro traz um olhar vasto sobre a filmografia singular desta dupla de cineastas, verdadeiros cidadãos do mundo.

"Os olhos não querem estar sempre fechados." Tirado da peça Othon, este verso de Corneille, que é título de filme e dá nome à retrospetiva, assume-se como um peculiar convite. Entenda-se: é de olhos bem abertos que se deve ver qualquer filme de Jean-Marie Straub (n.1933) e Danièle Huillet (1936-2006). Claro que, na simplicidade da interpretação, isso não se aplica exclusivamente a estes cineastas; mas há aqui uma dimensão imperativa que vale a pena sublinhar. Nestes filmes, cada enquadramento, cada situação musical ou intervenção do texto literário contém, por si só, uma meditação austera sobre a natureza do cinema. E se fazemos esta nota sobre o labor cirúrgico que caracteriza toda a filmografia da dupla em questão, é apenas para anunciar um acontecimento: o seu regresso à grande tela da Cinemateca, no mês de setembro que agora começa, e com prolongamento em outubro.

O intento desta retrospetiva integral é promover um olhar reflexivo, de uma só vez cinematográfico e cultural, sobre a produção artística de um dos mais célebres casais da história do cinema. Por isso mesmo, para além da obra propriamente dita, serão exibidos filmes documentais em torno do seu trabalho conjunto, realizados por Jean-Claude Rousseau, Harun Farocki, Jean-Charles Fitoussi, Peter Nestler e Pedro Costa - deste último passam 6 Bagatelas (2004), logo a abrir o ciclo, no dia 3, e Onde Jaz o Teu Sorriso (2001), que contará com a presença do próprio e do historiador Bernard Eisenschitz, no dia 20.

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