Premium Das consultas à distância ao controlo de doenças crónicas. A telessaúde está aí

A telemonitorização das doenças crónicas é uma das subáreas da telessaúde a ser desenvolvida em Portugal, estando já ao serviço de oito hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em 2017, realizaram-se 28 448 teleconsultas no país.

A mesa da sala de Maria Celeste, de 61 anos, parece a secretária de um consultório médico. É lá que guarda a balança, o termómetro, o medidor de pressão arterial, o oxímetro de pulso e o smartphone, que usa todas as segundas, quartas e sextas-feiras para se pesar, medir a quantidade de oxigénio no sangue, a temperatura e a tensão arterial. "E aos domingos faço um eletrocardiograma. É simples: quando começo a fazer as medições ligo o telemóvel que me deram, os dados são transmitidos e no final só tenho de o desligar", conta ao DN. Se os valores mostrarem algum sinal de agravamento, recebe de imediato uma chamada.

Desde que recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca, Celeste deixou "de viver a 200% para passar a viver a 50%". Uma mudança violenta para alguém que "pensava que era a supermulher". Teve alguns sustos, passou por vários internamentos. Chegou a dormir com a porta de casa destrancada, com medo de se sentir mal durante a noite. No final do ano passado, o médico que a acompanha no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, propôs-lhe que integrasse um projeto de telemonitorização, que tem vindo a ajudá-la a aprender a viver com a doença. "Ainda não foi preciso, mas, se não me sentir bem ou se os valores justificarem, encaminham-me para o hospital. Agora sinto-me um pouco mais tranquila, e não vou tantas vezes ao médico. É como se tivesse uma enfermeira a monitorizar-me diariamente. E há um serviço de apoio 24 horas por dia", afirma, destacando que, como vive numa aldeia perto de Mafra, este sistema evita muitas deslocações a Lisboa.

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