Premium Água: da guerra Índia-Paquistão à cooperação Portugal-Espanha

Desde as primeiras civilizações que os povos têm lutado pela água ou a usado como arma ou alvo. O Paquistão é exemplo de como tudo pode correr mal, ao contrário do que acontece na Península Ibérica.

Facto ou mito, segundo Heródoto, no ano 539 a.C. Ciro invade a Babilónia ao desviar o Eufrates e comandar as tropas ao longo do leito seco do rio. A água tem sido um elemento constante nos conflitos na região, seja como arma, seja como vítima, seja como causa. O mais recente: em setembro de 2018, os cidadãos de Baçorá, no sul do Iraque, revoltam-se contra a contaminação da água potável, que levou à hospitalização de 30 mil pessoas. Dos protestos resultam 15 mortos e dezenas de feridos.

"O Médio Oriente é um caso em que a água também tem sido utilizada como arma. É um caso extremo", diz Francisco Nunes Correia. O professor catedrático de Recursos Hídricos do Instituto Superior Técnico lembra o caso da guerra entre o Iraque e o Irão, na qual Teerão procurou atingir as fontes de água do Iraque para o debilitar. "A água é tão essencial, sobretudo em zonas áridas ou semiáridas, que se torna um alvo militar fácil e que causa problemas quase insuperáveis."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

Premium

João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.