Premium O dia em que a América foi do tamanho da Lua

Donald Trump quer pôr de novo um americano na Lua em 2024, ou melhor uma americana. E o projeto será batizado de Ártemis, a irmã de Apolo, o deus grego que deu nome à série de viagens espaciais que culminou com Neil Armstrong a pisar solo lunar a 20 de julho de 1969, faz agora meio século.

Estava o secretário de Estado americano, John Quincy Adams, a discutir com o embaixador britânico, notando que estes reivindicavam tudo o que era território no mundo, "reivindicam a Índia, reivindicam África", quando Stratford Canning acrescentou, irónico, "talvez um pedaço de Lua". Irritado, Adams respondeu: "Nunca ouvi que os britânicos reclamassem em exclusivo qualquer parte da Lua; mas não existe um ponto neste nosso globo habitado que possa dizer que não reclamem."

O episódio data de 1818, quando a Lua estava ainda (tecnologicamente) demasiado distante para alguém reclamar a posse, mesmo o poderoso Império Britânico. Mas curiosamente foi Adams, mais tarde presidente, quem primeiro promoveu nos Estados Unidos o ensino da astronomia, incentivando à construção de telescópios por todo o país. A paixão pelo estudo do céu ganhara-a quando era diplomata em São Petersburgo, de um amigo, o czar Alexandre I, outra ironia da história, pois um dia americanos e russos (transvestidos em soviéticos) seriam concorrentes na corrida ao espaço.

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