Quem é o empresário do vinho do Porto que vai trazer Obama a Portugal

Adrian Bridge é CEO da Fladgate. O clima levou-o a organizar uma parceria com vista ao desenvolvimento sustentável .

No espaço de um ano, o Douro assistiu a uma seca extrema e a um dilúvio sem par, destruindo vinhas e arrasando produções. "O rio Douro secou na nascente ainda há menos de um ano e há três semanas recebemos 12% das águas pluviais de todo um ano numa hora apenas", conta Adrian Bridge. Foi depois disso que o CEO do grupo The Fladgate Partnership decidiu fundar um movimento associativo para partilhar experiências e reagir com eficácia a este tipo de problemas. E desta é que foi de vez: nasceu o Porto Protocol, mecanismo global de ação que vai trazer Barack Obama a Portugal para falar de ecologia e sustentabilidade.

"Precisamos de novas ideias", diz Adrian Bridge A sustentabilidade ambiental pode ser benéfica ao nível das contas da empresa. "Os nossos painéis solares produzem 76,25% da energia consumida no vinho do Porto, o nosso core business." O hotel Yeatman aquece água usando energias renováveis e limpas, 15% dos custos foram utilizados para esse fim.

O vinho do Porto é a razão de ser e o objetivo primordial do grupo de Adrian Bridge. E este é um negócio claramente diferente de todos os outros. "Somos responsáveis por locais remotos, onde temos as vinhas, e sustentamos as vinhas dos lavradores." Sem vinho, o vale do Douro estaria deserto, à semelhança de La Mancha, em Espanha. Os donos das quintas são regra geral famílias, que vivem para fazer crescer o património para a geração seguinte. A forma como cada produtor dirige a sua atividade torna-o parte importante da solução.

O diálogo entre agentes económicos e o entendimento das melhores práticas é muito importante. Exemplo simples: a redução do peso de uma garrafa de vinho, como parte importante de redução da pegada ecológica do vinho. É crítica a participação da consultora PwC que vai patrocinar o Porto Protocol nos próximos cinco anos, "justamente para reunir casos de estudo e alinhamento de soluções partilhadas".

Não foi fácil, mas Obama tem muita simpatia por assunto das alterações do clima.

Um jogo em que todos devem participar e que consiste em "fazer o óbvio para poupar recursos e para evitar o desperdício ao máximo". O próximo desafio é encontrar casos exemplares no universo vínico, e para isso haverá uma conferência internacional com o tema das mudanças climáticas no mundo do vinho, no Porto, em março de 2019. O evento irá realizar-se de dois em dois anos, pelo que o Porto passará a ser o epicentro da revolução da sustentabilidade e da globalidade do universo do vinho.

Já nesta semana, haverá a assinatura do protocolo de associação, o tal Porto Protocol. "É sobre o Porto, e claro que o vinho do Porto estará também incluído. É uma cidade comparável apenas com Jerez de la Frontera e Bordéus, na medida em que dá o nome a um vinho de reputação mundial."

Adrian Bridge, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, o consultor internacional Pancho Campo, Nuno Botelho (AEP) e Tânia Oliveira (Fladgate) desenvolveram em conjunto a ideia da conferência em que Obama aceitou participar. "Não foi fácil... mas o ex-presidente tem particular simpatia pelos assuntos da liderança e das alterações climáticas", diz o CEO da Fladgate.

O que poderá ter influenciado mais Obama? "Somos facilitadores de uma nova forma de olhar para o assunto ambiental e dos recursos, e vamos chegar a soluções estáveis", garante. "Razões para estarmos preocupados não faltam, e cada pessoa é chamada a tomar uma posição e intervir, individualmente." O assunto da responsabilidade é mesmo de todos. "O rio Douro é muito pequeno, há que ter cuidado."

A autoria individual, de quem faz o quê, dilui-se na urgência e no bem comum que se pretende alimentar. Adrian Bridge traz Obama a Portugal, mas cita Ronald Reagan: "Great things get done when no one gets the credit" (grandes coisas acontecem quando ninguém assume a autoria e são feitas em conjunto).

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