Exclusivo Notas melodramáticas do (clássico) cinema coreano

Antes do êxito contemporâneo de cineastas sul-coreanos como Bong Joon-ho, há um período clássico deste cinema que é quase desconhecido fora do país. Em parceria com a Embaixada da República da Coreia, a Cinemateca dedica um ciclo ao capítulo "perdido" dessa cinematografia.

Janeiro traz ótimas notícias para cinéfilos. Na mesma semana em que vão chegar às salas três filmes de Hong Sang-soo - A Mulher Que Fugiu, Mulher na Praia, O Dia em Que Ele Chega e O Filme de Oki - distribuídos pela Midas, a Cinemateca, que exibirá em antestreia o primeiro destes títulos (no dia 4), apresenta um ciclo de 11 obras sul-coreanas que abrem a porta ao período clássico de um cinema anterior ao reconhecimento de nomes, para além do referido Hong Sang-soo, como Kim Ki-duk, Park Chan-wook, Lee Chang-dong e, claro, o oscarizado Bong Joon-ho, realizador de Parasitas.

Justamente, é este último quem numa entrevista à Criterion Collection, descreve a obra de arranque do presente ciclo, A Criada (dia 7), como "um melodrama, drama criminal e filme de terror". Tudo de uma só vez. Por estas palavras podia estar a falar do seu próprio Parasitas, mas é de um filme alucinante de Kim Ki-young que se trata. Hanyo (título original) começa com um breve diálogo entre marido e mulher, a partir de uma notícia de jornal sobre um caso de infidelidade, e atira-nos logo de seguida para dentro de um caldeirão de desejo sexual feminino e tensões de classe regados com veneno de rato... No centro de tudo está um professor de música casado que se vê primeiro afligido pelos avanços de uma aluna de piano, para depois cair na teia de sedução bem urdida pela criada, que não só engravida como instala uma ditadura doméstica levada aos limites da crueldade.

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