Empresas da Bolsa. 85% dos empregos criados são no estrangeiro

Cotadas do PSI 20 aumentaram o número de trabalhadores. 85% dos novos postos de trabalho foram no estrangeiro. Jerónimo Martins e Mota-Engil foram as que criaram mais emprego.

As empresas da Bolsa portuguesa reforçaram as contratações. Criaram mais de 8400 postos de trabalho em 2018. Empregavam cerca de 244 mil pessoas a nível mundial. Mas a maioria dos novos empregos surgiu no estrangeiro.

Dos novos empregos criados, mais de sete mil foram gerados nos negócios internacionais das cotadas, cerca de 85%. Na atividade em Portugal, as empresas aumentaram os quadros em cerca de 1370 pessoas, segundo os relatórios das empresas.

Estes dados são um reflexo da aposta que algumas das maiores cotadas nacionais estão a fazer lá fora para crescer, uma estratégia iniciada para contornar a crise de 2011.

Já se emprega mais no estrangeiro do que em Portugal

O ritmo mais rápido de criação de emprego no estrangeiro do que em Portugal levou a que mais de metade do emprego das empresas cotadas no índice de referência da Bolsa portuguesa já seja no estrangeiro.

Se em 2017 em cada 100 funcionários tinham 51 em Portugal, no ano passado esse número baixou para menos de 50 nas empresas analisadas pelo Dinheiro Vivo. Dos cálculos foram excluídas a Altri, a Ramada, a NOS, a Ibersol e a REN, que ainda não divulgaram os relatórios e contas em que indicam os números de funcionários em 2018.

As que mais contratam

A aposta nos mercados internacionais aparenta ser a justificação para as empresas que mais contratam. A Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, aumentou o número de trabalhadores em 4350. Mas mais de 3640 foram nas operações internacionais.

A empresa gera a fatia de leão dos seus lucros na Polónia e está a aumentar a aposta na Colômbia. A cotada controlada pela família Soares dos Santos é a maior empregadora da Bolsa nacional. Fechou 2018 com mais de 108 mil funcionários. Mas apenas 32 400 desses postos de trabalho são em Portugal.

A rival Sonae tem uma estratégia inversa. A dona do Continente aumentou o número de trabalhadores em 1560 em 2018, para um total de mais de 45 300. Quase 1300 dos novos empregos foram criados em Portugal.

A retalhista liderada pela família Azevedo tem sido cautelosa na expansão internacional e depende mais do mercado doméstico. É a empresa da Bolsa que mais funcionários tem em Portugal. Mas é a exceção à regra.

A Mota-Engil foi outra das empresas que mais emprego criaram. Mas a esmagadora maioria também foi no estrangeiro, para responder às obras que tem ganho em África e na América do Sul. Nas operações europeias houve cortes.

O BCP e a EDP também cortaram no número de funcionários em Portugal, apesar de terem feito reforços nas operações internacionais. E os CTT foram a empresa que mais cortou nos quadros de pessoal no ano passado. O número de funcionários dos correios desceu cerca de 150, para 12 630.

Exclusivos