Vive-se uma "vaga de empreendedorismo" em Portugal

O ministro da Economia apontou hoje as 27 mil novas empresas criadas de janeiro a setembro, "o dobro das que morreram", e a evolução muito positiva das exportações como provas da "vaga de empreendedorismo" atualmente vivida em Portugal.

"Hoje Portugal experimenta uma época de empreendedorismo que representa uma energia nova na economia e na sociedade", sustentou António Pires de Lima, apontando este "esforço" como, "em boa parte, responsável pelos 130 mil novos empregos líquidos que se criaram de 31 de março a 30 de outubro".

A par desta "onda de empreendedorismo", o ministro - que falava no Porto durante a conferência "Crescer & Competir 2020" - destacou o "esforço acrescido de competitividade das empresas portuguesas", traduzido no aumento das exportações de 28% do produto interno bruto [PIB] em 2008 para mais de 41% em 2013".

A este propósito, Pires de Lima reiterou o objetivo do Governo e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) de, nos próximos cinco anos, elevar o peso das exportações para, "pelo menos, 52%" do PIB.

"A visão é terminarmos a década com um peso das exportações no PIB que é quase o dobro daquele que Portugal conhecia em 2009, fruto de ganhos de quota de mercado num leque muito alargado de setores, tanto nos mercados mais próximos, da Comunidade Europeia, como, sobretudo, em novos mercados e novas geografias", disse.

Neste contexto, Pires de Lima destacou o papel do Programa Operacional Fatores de Competitividade (Compete), "totalmente orientado para as empresas e, de uma forma particular, para as PME [pequenas e médias empresas]" das três regiões de convergência Norte, Centro e Alentejo.

"O Compete foi um instrumento de política económica que deu um impulso sem precedentes à articulação entre as empresas e os centros de saber e de transferência de conhecimento, promovendo a melhoria sustentada da competitividade da economia portuguesa num contexto de mercado global e intervindo sobre dimensões estratégicas, como a inovação, o desenvolvimento científico e tecnológico, a internacionalização, o empreendedorismo e, também, com impacto na modernização da administração pública", considerou o governante.

De acordo com o ministro, entre 2007 e novembro deste ano foram contratualizados, através do Compete, cerca de 6.000 projetos que canalizaram para a economia mais de 8.000 milhões de euros de investimentos.

Num "contexto económico muito difícil, com dificuldades de acesso ao crédito", o ministro destacou que, segundo um estudo de avaliação intercalar do programa, "cerca de 41% destes investimentos não ocorreriam caso não existissem os incentivos do Compete".

O mesmo estudo, salientou Pires de Lima, "comprova que o Compete contribuiu inequivocamente para o reforço da orientação exportadora da economia portuguesa, apresentando as empresas apoiadas um aumento médio do seu volume de exportações de 36%".

De acordo com o estudo de avaliação intercalar do Compete, elaborado pela Augusto Mateus & Associados e pela PricewaterhouseCoopers (PwC) e que se reporta a final de 2012, o programa teve "um desempenho genericamente positivo com uma maturação longa dos seus efeitos", sendo as empresas apoiadas "melhores que o universo português comparável".

Embora considerando os "resultados potenciais globais dos projetos apoiados bastante expressivos e positivos", sendo "inequívoco o contributo do programa para o reforço da orientação exportadora da economia portuguesa", o relatório alerta que "comportam desequilíbrios qualitativos que importa aprofundar e corrigir".

Também referido é que, apesar do seu "indiscutível contributo para a promoção da economia baseada no conhecimento", o Compete "não terá alcançado a dinâmica e amplitude necessárias para catalisar mudanças estruturais irreversíveis".

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