Vencedores nos telemóveis mas vencidos na Internet

Tecnologias. Inventámos o primeiro cartão pré-pago. Estamos em 4.º lugar na UE no uso do telemóvel, quase um e meio por habitante. Também crescemos na utilização da Net. Mas não chegou para alcançar as médias europeias e ocupamos as últimas posições. Tem que ver com a baixa escolaridade dos portugueses, justifica sociólogo. E há quem esteja a deixar de usar a rede digital devido à crise

Os portugueses deram um salto de gigante no uso das novas tecnologias, concluem os estudos. Mas temos que precisar de que tecnologias estamos a falar. Se de telemóveis ou computadores, por exemplo. Aderimos tão rapidamente quanto os europeus ao uso dos telemóveis e até temos mais unidades do que a média da União Europeia (UE). O mesmo já não se poderá dizer da utilização da Internet, das mais baixas entre os 27 Estados membros. A culpa é da baixa escolaridade, justifica o sociólogo Gustavo Cardoso. É preciso conhecimento e informação para tirar partido de um computador.

As assinaturas do telefone móvel ultrapassaram as do fixo em 1999, quatro anos após a introdução do primeiro cartão pré-pago do mundo, que é português e se chama Mimo (ver vídeo). As subscrições da rede fixa passaram de 15 para 42 em cem habitantes nos 25 anos de adesão de Portugal à Comunidade Europeia, mas desde 2000 que perderam relevância. E a queda não é ainda mais abrupta devido aos pacotes três em um disponibilizados pelas operadoras (telefone, televisão e Net).

O número de telemóveis excedeu a população residente logo em 2004, existindo atualmente 143 aparelhos por cem habitantes. Mais 22 do que a média da UE, uma descolagem que iniciámos em 1997. Também gastamos mais em telecomunicações, 1,5% do PIB.

Gustavo Cardoso, diretor do Observatório da Comunicação (Obercom), considera que o número de aparelhos por habitante diz pouco sobre o uso das tecnologias, até porque muitas utilizadores trocam de aparelhos e não desativam os números que a eles estão agregados. "A utilização de telemóveis em Portugal é igual aos restantes países da UE, a tendência é para que existam mais telemóveis do que pessoas. Outra coisa são as pessoas que ainda não têm telemóvel, e há um número muito reduzido que não tem", argumenta. E verifica-se outra alteração: os jovens estão a enviar menos mensagens por telemóvel e a usar mais a Internet para comunicar.

Já na utilização da Net estamos longe das médias comunitárias. "Há mais 20 europeus do que portugueses por cem habitantes a usar a Internet e menos 31 europeus que portugueses que nunca a ela acederam", diz o estudo "25 anos de Portugal europeu". Isto, apesar de Portugal ser um dos seis países na UE que tem os principais serviços públicos online.

"A utilização da Internet tem a ver com a escolaridade da população, com as capacidades individuais. Quanto mais alta é a escolaridade, maior é o número de utilizadores. A utilização entre a popu- lação universitária ronda os 100%. O que tem que ver com a baixa escolarização reflete-se no uso que os portugueses fazem das tecnologias, no resto está a acompanhar as tendências europeias", explica Gustavo Cardoso, salientando uma mudança recente: "Há pessoas que deixaram de usar a Internet devido à crise, o que está a acontecer em todos os países. Temos entre dois a três por cento de ex-utilizadores."

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