UGT: Reduzir salários no privado é "ilegal" e "perigoso"

O secretário-geral da UGT, João Proença, considerou hoje que reduzir os salários no sector privado, como defendeu a 'troika', para além de "ilegal" é "extremamente perigoso".

Em declarações aos jornalistas em Viseu, onde participou no IV Congresso Empresarial da Região, João Proença lembrou que já "está a haver um abaixamento do salário real" que não pode ser ignorado.

"Os salários estão a crescer abaixo da inflação. Não é só a penalização forte que estão a sofrer os trabalhadores da administração pública e do setor empresarial do Estado, mas também do sector privado", afirmou.

Exemplificou que, no terceiro trimestre, a negociação colectiva, que abrangeu a construção civil, o têxtil e o calçado, "subiu um por cento e a inflação anda à volta de quatro", ou seja, "há uma perda de três por cento do salário real".

Na opinião de João Proença, ir além "do ajustamento que é feito por via da negociação colectiva é ilegal e extremamente perigoso", quer do ponto de vista social, porque "vai agravar os descontentamentos e aumentar a conflitualidade", quer económica e financeiramente.

"Ainda vai fazer com que o crescimento económico seja pior, ou seja, a recessão seja maior", alertou, lembrando que as empresas, que na sua maioria vivem do mercado interno, não terão condições de vender, gerando "menos emprego e mais recessão".

Por outro lado, acrescentou, corre-se o risco de "haver uma escalada relativamente ao crédito mal parado", com as pessoas a deixarem de pagar ao banco, que, "logo, empresta menos à economia".

O secretário-geral da UGT admitiu que se deve "discutir seriamente a competitividade das empresas", nomeadamente no que respeita à economia clandestina, lamentando que o funcionamento da justiça em Portugal tenha hoje "um custo muito grande" para as empresas.

"Ninguém paga a ninguém. O Estado cada vez paga mais tarde e, entre particulares, agrava-se o pagamento das dívidas", referiu.

Realçou que hoje se assiste à "situação dramática" de empresas rentáveis e competitivas que venderam os seus produtos mas, como não lhes pagam, "não têm dinheiro para comprar matéria-prima e vêm-se obrigadas a fechar" porque ninguém as financia.

"A falta de financiamento à economia está a começar a provocar a paralisação da própria economia. Tem de haver uma resposta imediata do Governo", defendeu, considerando que, "a bem ou a mal", os bancos devem usar os 12 mil milhões de euros que têm disponíveis.

Exclusivos

Premium

Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.