UGT defende alteração de políticas e apela à participação na Concertação Social

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou hoje que mais importante que "a mudança das cadeiras e os rostos" do Governo é "a alteração das políticas", apelando para uma maior participação de todos os atores na Concertação Social.

"Mais importante que a mudança de cadeiras e os rostos do Governo é a mudança das políticas", disse o líder a UGT à imprensa no final de uma reunião do secretariado nacional da central sindical, em Lisboa, tendo lembrado que o diálogo em sede de Concertação Social "é fundamental".

"Embora a Concertação Social não tenha estado bloqueada, também não surtiu o efeito desejado", disse Carlos Silva questionado pela Lusa, tendo realçado que houve "um grande e amplo consenso" por parte de todas as sensibilidades na UGT sobre o momento atual, a análise e as propostas contra as políticas de mais austeridade levadas a cabo pelo Governo suportado pelos partidos do PSD e do CDS-PP.

Carlos Silva realçou que foi a alteração das políticas que conduziu à greve geral de 27 de junho e à participação da UGT e que as mesmas matérias "estão em cima da mesa", daí que "reivindique e exija" ao novo Executivo que faça da Concertação Social "um verdadeiro espaço de encontro e de partilha de experiências, de modelos de experimentação social, política e sindical, que promovam a estabilidade e a coesão no país".

A UGT destacou também que as soluções que venham a ser encontradas não poderão pôr em causa os postos de trabalho, em especial na Administração Pública, e as políticas voltadas para o crescimento do país, e que as medidas "não fustiguem mais os portugueses".

A UGT dá o "benefício sincero" ao novo Governo, mas lembra que o ex-ministro das Finanças Vitor Gaspar reconheceu o "fracasso das políticas de austeridade, a falta de coesão governativa" e ainda a fragilidade da liderança do Governo, lembrando que o novo Executivo deve "ler os sinais" e ter em conta as afirmações recentes do Presidente da República, Cavaco Silva, sem que a central abdique das suas próprias decisões em defesa dos trabalhadores.

A central sindical "não pretende a luta pela luta", mas diz que decidirá quando e como: "Sempre sem ser pressionada" e determinando o seu calendário.

"Queremos dar um sinal de confiança a este Governo, mas vamos ter em conta as políticas que vão ser desenvolvidas [que não podem ser apenas de austeridade, mas sim de crescimento] (...). Nós vamos voltar à luta sempre e quando entendermos necessário. Não queremos fazer a luta pela luta, esse 'timing' é decidido pela UGT e os seus sindicatos e quando for determinado, pois é a defesa dos trabalhadores e do país que estão em causa", salientou.

A UGT exige o fim das políticas de "mais austeridade", que considera não ser "a solução para a crise, defende políticas de crescimento e medidas ativas de emprego e é pelo combate ao desemprego, além de apoiar uma política "mais justa" que sustente e "retome a procura interna".

Considera, por fim, que o salário mínimo nacional deverá ser atualizado e tenha "um aumento digno", que a reforma do Estado não seja centrada na redução "irracional do corte de custos" e que haja cuidado na reforma dos funcionários públicos.

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