TGV Lisboa/Madrid tem de esperar por "tempos melhores"

O líder do Partido Popular (PP) espanhol, Mariano Rajoy, afirmou-se hoje em Belém favorável as ligações de alta velocidade entre Portugal e Espanha, mas admitiu que há projectos que têm de ser "implementados quando chegarem tempos melhores".

O líder da oposição espanhol foi recebido em audiência pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, uma conversa que durou cerca de uma hora e que Mariano Rajoy descreveu como "muito gratificante e interessante". "O PP é a favor da alta velocidade (...) nunca vamos renunciar a isso nos nossos programas eleitorais, é algo que sempre teremos presente. Mas é evidente que é preciso dizer às pessoas que vivemos uma situação económica que todos conhecemos", respondeu Rajoy, quando questionado sobre a ligação em alta velocidade (TGV) entre Lisboa e Madrid, projecto que o Governo português suspendeu.

"À saída do encontro com Cavaco Silva, e a poucas horas de participar como orador principal na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide, o líder do PP espanhol salientou que "há projectos que podem ser levado a cabo num determinado momento e outros que podem ser implementados quando chegarem tempos melhores". "Neste momento Portugal e a Espanha têm as suas prioridades. A primeira é enfrentar a crise financeira e para isso é preciso melhorar a competitividade e sanear as contas públicas", vincou o dirigente do PP, que nas eleições legislativas espanholas de nNvembro defronta Alfredo Pérez Rubalcaba, ex-ministro do Interior socialista.

Em entrevista publicada na edição de hoje do diário espanhol 'El Pais', o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho - que visitou Madrid na quarta-feira - lembra que existem "dificuldades económicas que impedem que este projecto possa avançar como estava programado" e insiste na defesa da ligação em bitola europeia para mercadorias. "Para o crescimento económico, isto é mais prioritário que o transporte de passageiros", afirmou.

Questionado sobre se a suspensão do projecto é "definitiva", Passos Coelho considerou que "a única coisa definitiva é a morte" mas acrescentou que Portugal, "nos próximos anos, não estará em condições de retomar o investimento" no TGV. "Mas estamos dispostos a estudar com Espanha e a Comissão Europeia uma fórmula alternativa para não perder fundos comunitários que estavam destinados ao projecto", sublinhou o primeiro-ministro português.

Exclusivos