Teodora Cardoso defende política fiscal simplificada

A economista Teodora Cardoso afirmou hoje que a política fiscal em Portugal deve ser simplificada, pois está criar não só problemas às famílias, às empresas, mas também aos investidores estrangeiros.

"Temos o mau hábito de em todos os orçamentos anuais alterar pequenas coisas [ao nível fiscal] que complicam. É preciso simplificar a política fiscal e saber qual é, em cada ano, o panorama fiscal", disse a economista durante a intervenção nas XVII Jornadas Fiscais - "O significado do imposto e da crise" que hoje se realizam em Lisboa.

A presidente do Conselho de Finanças Públicas referiu também que a atual crise em Portugal "não é de todo conjuntural, é muito mais profunda e atingiu todos os países desenvolvidos".

Teodora Cardoso disse ainda que "Portugal é um pequeno peão neste jogo e que se deixou levar na euforia financeira. Mas, a resolução da crise tem a ver com a situação internacional e o que se passar a este nível", sublinhou.

Na intervenção, a economista realçou que os macroeconomistas costumam dizer que "os impostos se medem pela despesa pública".

Esta premissa "foi algo que nos esquecemos durante muito tempo e que estamos agora a pagar", lamentou.

Teodora Cardoso lamentou o facto de a "embriagues financeira" ter feito com que na política económica "tudo parecesse bem" na Europa e nos Estados Unidos e que tudo seria colmatado pelo "crédito fácil", o que levou o sistema financeiro a subestimar o risco em todos os países da moeda única.

"O consumo privado e o investimento imobiliário caíram arrastando o emprego e deteriorando a atividade económica", lembrou que esta estava a crescer, o desemprego a diminuir, os juros em bom nível e a inflação a abrandar.

"Agora assistimos a uma inversão da atitude [do setor da banca] relacionada com o risco", disse.

A economista alertou também para o facto de Portugal ter usado ao longo dos anos a política económica como um instrumento de estímulo da economia, acumulando dívida, com as receitas e despesas em desequilíbrio.

"A acumulação de dívida já deu o que tinha a dar e manter um modelo de crescimento com base na dívida financeira [muito assente no consumo e na procura interna] esgotou-se", sublinhou.

Como algumas indicações para Portugal sair da crise, Teodora Cardoso falou da necessidade de haver coesão social com base na responsabilidade partilhada e levar-se por diante a reforma da Administração Pública e da gestão do setor público.

A economista advogou a necessidade de haver um "programa claro" para que se saiba em que ponto estão e se concretizem as reformas públicas, uma vez que o "sistema em Portugal é muito burocrático".

Questionada pela Lusa à margem das Jornadas organizadas pela Universidade Lusíada sobre os números do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro trimestre do ano, Teodora Cardoso não considerou que se possam tirar outras ilações "para já".

"Esperava que houvesse uma degradação", até pelo recuo do PIB no último trimestre de 2012, mas "nada mais".

A economia portuguesa registou uma queda de 3,9% no primeiro trimestre de 2013 em relação a igual período do ano passado, segundo a primeira estimativa das contas nacionais trimestrais divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A queda do Produto Interno Bruto (PIB) revelou uma aceleração da degradação da economia, já que no último trimestre de 2012 esta tinha registado uma queda de 3,8% face aos últimos três meses de 2011.

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