Tectos salariais são "convite à mediocridade"

O presidente do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, disse que estabelecer tectos salariais aos gestores públicos é "pedir aos incompetentes para ocuparem os cargos", considerando ser "um convite à mediocridade".

"Um presidente da Caixa Geral de Depósitos a ganhar cinco mil euros é um convite à mediocridade e um convite a outros esquemas que existem em Portugal há muitos anos", afirmou Alexandre Soares dos Santos no jantar debate promovido, na terça-feira, pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI), no Porto.

Questionado por um empresário sobre o sistema remuneratório dos gestores públicos, o empresário admitiu não perceber a decisão de os dirigentes de empresas públicas terem os salários indexados ao do Presidente da República: "Não percebo a decisão de se ter que ganhar menos que o Presidente da República, porque o Presidente da República não faz nada".

Alexandre Soares dos Santos defendeu "uma política de motivação, em que as pessoas são remuneradas de acordo com a performance que é exigida", realçando que estabelecer tectos salariais é "convidar os incompetentes a irem para lá".

Para o dono dos supermercados Pingo Doce, "há uma inversão de valores na sociedade portuguesa", considerando que "em Portugal todos querem ser pobres. As pessoas não querem ganhar o que eu ganho querem que eu ganhe o que elas ganham, que é menos", declarou.

Na iniciativa da APGEI, Soares dos Santos desabafou ficar espantado "como o presidente da Carris tem paciência para estar naquela companhia a aturar tudo aquilo e ganhar meia dúzia de euros por mês".

O PS anunciou em Outubro que avançará com diplomas para indexar as remunerações dos membros de entidades reguladoras, altos cargos públicos e gestores públicos ao salário do Presidente da República, nunca podendo exceder o vencimento do primeiro-ministro.

As propostas foram apresentadas pelo vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS José Junqueiro a meio de uma reunião da bancada socialista.

A curto prazo, segundo José Junqueiro, os socialistas vão avançar com uma proposta em que os membros das entidades reguladoras, assim como altos cargos públicos e gestores públicos terão os respectivos vencimentos indexados ao ordenado do Presidente da República, nunca podendo exceder o vencimento do primeiro-ministro.

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