Stock da Cunha não "atira a toalha ao chão" no que toca ao papel comercial

"Não descansarei enquanto não arranjar uma solução para uma situação que não criei", disse o presidente do Novo Banco.

O presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, garantiu hoje no parlamento que vai continuar a trabalhar numa solução para os clientes de retalho que subscreveram papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES).

"Quanto aos direitos dos clientes de retalho, é evidente que eu me preocupo com os clientes do banco. Senão, não teria recebido o responsável da associação que recebemos há pouco. Nós tivemos uma situação muito grave e temos um cobertor que não dá para tudo", afirmou o gestor.

"Entre pôr em causa a poupança de dois milhões de clientes ou a poupança de 2.500 clientes, acho que a opção é clara", realçou Stock da Cunha durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

"No dia em que eu atirar a toalha ao chão, eu direi. É uma situação que eu não criei. Exige tempo, muita ponderação, que se faça as contas a cada caso. Agora, se me pergunta se está tudo perdido, eu acho que não", frisou.

E reforçou: "Enquanto tivermos alguma hipótese vamos trabalhar numa solução".

Stock da Cunha admitiu entender "uma certa ansiedade que possa existir relativamente às pessoas que têm as suas poupanças nos papéis comerciais", mas acrescentou que o banco a que lhe foi confiada a gestão "tem que olhar para o seu conjunto".

O gestor disse que, quando assumiu a liderança do Novo Banco, se deparou, por um lado, com problemas diretos, relacionados com as obrigações emitidas pelo BES e que transitaram para o Novo Banco.

Por outro lado, 'herdou' os problemas indiretos que estão precisamente ligados às obrigações emitidas por entidades do universo Espírito Santo e que foram vendidas aos balcões do BES.

"Eu não posso adiantar nada sobre como vamos resolver a situação dos últimos, porque não temos nenhuma solução ainda. Se calhar a solução que temos hoje em cima da mesa a estudar é igual à de há três ou quatro meses", salientou, apontando para os contactos sobre a matéria que tem mantido com o Banco de Portugal e que vai ter com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"Não descansarei enquanto não arranjar uma solução para uma situação que não criei", rematou.

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