"Solução para Chipre foi terrível", diz Nobel da Economia

"Foi uma solução terrível e espero que não se repita", disse ontem o Nobel da Economia Christopher Pissarides, numa referência à solução de aplicar um imposto sobre os depósitos bancários dos cipriotas. Ele próprio natural de Chipre, Pissarides foi um dos oradores das Conferências do Estoril, que decorrem até amanhã.

Para o Nobel, a solução arranjada para Chipre, em troca de um plano de resgate de cerca de quatro mil milhões de euros, concedidos pela 'troika', é o mesmo do que dizer às pessoas que "é má ideia ter o dinheiro na Europa".

Declarando-se furioso com o que aconteceu no seu país e com o que está a acontecer na União Europeia, Pissarides, Nobel da Economia de 2010, especializado em questões ligadas ao emprego e desemprego, deixou a seguinte questão no ar: "Se o meu banco tem lucro vai parar à mão dos accionistas. No meu país dois bancos não tiveram lucros e agora temos de pagar os prejuízos. Quando tiveram lucro não me deram mais juro, porque hei-de pagar o prejuízo agora?".

Defendendo na sua intervenção a necessidade e urgência de criar um União Bancária e depois uma União Fiscal, de facto, na União Europeia, Pissarides sublinhou que, sem essas duas vertentes, "a moeda única não irá funcionar nem criar crescimento e emprego. Se os países não estão dispostos a isto, então significa que não estão dispostos a aceitar a moeda única".

O economista da conceituada London School of Economics, do Reio Unido, deixou um aviso aos líderes europeus nestas conferências do Estoril: "Das duas, uma: ou colocamos um ponto final na moeda única ou as principais potências europeias devem envidar todos os esforços para criar políticas que promovam o crescimento e o emprego".

Até agora, as políticas europeias, com impacto mais notório nos países que estão sob resgate da 'troika', como Portugal, têm dado prioridade à austeridade em nome do equilíbrio das orçamentos dos Estados. Mas com o desemprego a aumentar de forma galopante, sendo particularmente grave entre os mais jovens, surgem cada vez mais vozes a defender uma mudança de orientação e uma maior prioridade às políticas de incentivo ao crescimento económico e às medidas para tentar dar maior credibilidade ao euro. Neste capítulo, a Alemanha da chanceler Angela Merkel tem sido um dos principais alvos das críticas.

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