Sistema financeiro não resistiria a colapso do euro

O ministro dos Negócios Estrangeiro, Luís Amado, disse hoje, em Lisboa, que é preciso garantir a estabilidade monetária da zona euro, considerando que o sistema financeiro internacional não resistiria ao colapso da moeda da União Europeia.

"Precisamos de garantir a estabilidade do euro. O sistema financeiro internacional não resistiria ao colapso de uma moeda que se tornou nas últimas décadas [...] num factor de estabilidade nesta metamorfose que o sistema mundial está a conhecer", disse Luís Amado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, que falava durante a sessão de abertura da assembleia anual do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), destacou as dificuldades em garantir a estabilidade do euro "no quadro de uma união monetária imperfeita e de uma união económica que tem resistências políticas relevantes".

"Mas é fundamental que também para a estabilidade do sistema financeiro internacional se garantam o mais rapidamente possível as condições de estabilidade da zona euro", sublinhou.

Para Luís Amado, é preciso garantir também que a estabilidade do sistema financeiro internacional possa ser assegurada pela reforma das instituições financeiras internacionais, que está em curso, e pela ação ao nível dos países do G20 "que garanta os equilíbrios na governação do sistema financeiro que a realidade geopolítica exige e impõe."

"Os Estados Unidos e a Europa percebem que a gestão dessas instituições exige no futuro uma participação mais ativa de outros atores, de outras regiões que têm uma quota muito mais expressiva na economia mundial. É por isso fundamental que essa reforma continue no sentido de reequilibrar o poder dentro dessas instituições", disse Luís Amado.

A declarações do ainda ministro dos Negócios Estrangeiros surgem numa altura em que os países emergentes reclamam um papel mais ativo nas instituições internacionais, nomeadamente no Fundo Monetário Internacional, que terá um novo director-geral após a demissão do francês Dominique Strauss-Kahn.

Luís Amado sustentou que, no âmbito da referida reforma, a inovação financeira "tem que ser contrabalançada com fatores de estabilidade e segurança financeira que dominem a incerteza que alimenta os fenómenos especulativos descontrolados que, como vimos, podem de um momento para o outro dar cabo das economias reais de qualquer país".

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