Sindicato responsabiliza administração pelos prejuízos

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas (STEFFAS), Rogério Caeiro, afirmou hoje que não está surpreendido com os prejuízos do Arsenal do Alfeite nem com as preocupações da administração em relação ao futuro.

"Não nos surpreende. Não foi nada que nós, em devido tempo, não tivéssemos avisado, nomeadamente em 2009, quando o Arsenal foi transformado em Sociedade Anónima", disse à agência Lusa Rogério Caeiro, depois de ser divulgado o relatório e contas da empresa, que dá conta de um resultado negativo de 5,4 milhões de euros em 2012.

"Desde 2009 que temos alertado a administração para a necessidade de ter uma carteira de encomendas que realmente contribua para o sucesso da empresa", frisou.

O dirigente do STEFFAS remete a responsabilidade pela atual situação do Arsenal do Alfeite para a administração, deixando claro que são os administradores que têm a responsabilidade de assegurar uma boa carteira de encomendas.

"A administração ou o Ministério da Defesa é que terão de arranjar trabalho. Espero que a administração consiga encontrar trabalho e construir uma carteira de encomendas muito razoável, compatível com as capacidades da empresa, e que o Arsenal do Alfeite se transforme naquilo que já foi noutros tempos, um estaleiro de referência a nível nacional e até internacional", disse.

"É isso que se pretende, nunca perdendo de vista a manutenção da frota da Marinha Portuguesa, que é o principal objetivo de Arsenal do Alfeite", acrescentou.

No relatório e contas de 2012 do Arsenal do Alfeite, a que a agência Lusa teve hoje acesso, o conselho de administração liderado por Jorge Camões, que partilha as mesmas funções nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, outra das empresas do ramo que integra a 'holding' pública Empordef, perspetiva "uma melhoria" para 2013, com o reforço do trabalho para a Marinha, mas adverte também para os "momentos difíceis" que se vão viver este ano.

Para ultrapassar as dificuldades, a administração defende que o Arsenal do Alfeite, para além da reparação naval, deverá também apostar na construção de lanchas, pequenas e médias.

A administração do Arsenal do Alfeite considera ainda que a dependência do Orçamento do Estado e o estatuto de Entidade Pública Reclassificada dificultaram a afirmação da empresa em mercados competitivos, designadamente nos países africanos, que têm particular apetência para este tipo de lanchas.

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