Sindicato diz que proposta da SATA daria 56 euros a cada trabalhador

O dirigente da plataforma de sindicatos da Sata Paulo Fialho afirmou hoje que cada trabalhador da transportadora açoriana receberia, em média, mais 56 euros se, em 2013, houvesse um acréscimo global nos vencimentos de um milhão de euros.

"O milhão de euros que a Sata refere que iria dar em troca do aproveitamento do clausulado dos acordos coletivos de trabalho, a distribuir pelos trabalhadores perfaz 56 euros a cada trabalhador", especificou Paulo Fialho, em conferência de imprensa em Ponta Delgada.

Fonte do grupo Sata disse hoje à agência Lusa que a administração da empresa propôs aos sindicatos alterações a nível de horários e majoração de horas extraordinárias que levariam a um acréscimo de um milhão de euros nos vencimentos pagos aos trabalhadores este ano.

Outro sindicalista, o porta-voz da plataforma de sindicatos da Sata, Jaime Prieto, referiu que o que a administração da transportadora está a colocar em cima da mesa "é claramente" uma "apropriação de parte do dinheiro dos trabalhadores", quer pela via da produtividade ou pela via da austeridade.

"O dinheiro que é retirado aos trabalhadores do grupo Sata ou TAP não é dinheiro que contribui de forma direta para o erário público nem para os cofres do Estado. Há normas comunitárias e imperativos legais que não permitem que esse dinheiro tenha uma transferência financeira direta", explicou.

Segundo o sindicalista, esta ação não tem o mesmo efeito gerado pelas retenções salariais na função pública, sendo o dinheiro retirado aos trabalhadores "uma subvenção" que "fica à disposição" das administrações das empresas.

Jaime Prieto revelou, ainda, que a Sata dispensou um "número significativo" de técnicos de aeronáutica que estiveram em formação, numa ação orçada em cerca de um milhão de euros.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, obter uma reação do porta-voz da Sata a estas acusações da plataforma.

Os trabalhadores da SATA iniciaram à meia-noite um período de greve que se prevê durar até sábado, abrangendo o calendário das festas do Santo Cristo, na ilha de São Miguel.

A paralisação foi convocada por cinco sindicatos, contra a não aplicação na SATA do mesmo acordo firmado na TAP, com vista a evitar os cortes salariais entre os 3,5% e os 10% previstos no Orçamento do Estado de 2013.

Um primeiro período de greve decorreu a 23, 24 e 25 de abril.

Após duas rondas de negociações, não houve acordo entre sindicatos e administração.

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