Setor aeronáutico português vive período "dourado"

O diretor-geral da associação portuguesa de indústria aeroespacial diz que e setor atravessa um período dourado" que pode significar um "ponto de viragem" para esta indústria.

Em declarações à margem do salão aeronáutico internacional de Le Bourget, arredores de Paris, Sérgio Oliveira sustentou que a indústria aeronáutica portuguesa beneficia neste período de forte investimento estrangeiro e de um programa de desenvolvimento industrial, duas situações que raramente se conjugam.

Ainda assim, o diretor geral da associação portuguesa de indústria aeroespacial (PEMAS) realça a necessidade de "um claro apoio estatal e uma clara coordenação estratégica a longo prazo". "Estamos num período muito particular no setor aeroespacial, em que temos um investimento estrangeiro muito forte em Portugal, o caso da Embraer, temos um alinhamento claro com as iniciativas geradas pela EEA - Empresa de Engenharia Aeronáutica, dentro do âmbito dos programas da Embraer. É uma ferramenta ótima para a dinamização do setor", afirmou.

Com o programa KC-390 da Embraer Portugal, desenvolve-se pela primeira vez numa fase inicial um programa aeronáutico, com a vantagem de acompanhar todo o processo de aprendizagem em conjunto com o fabricante, o que pode capacitar a indústria portuguesa para fazer parte da cadeia de fornecimento quando a aeronave estiver em processo de fabricação. "Temos duas unidades de fabricação da Embraer em Portugal, a Embraer está bastante avançada no desenvolvimento de um avião novo.

Será o maior avião da Embraer, até à data. É um avião de componente militar com características diferentes do que é normal ser feito", explica o diretor geral da PEMAS. O investimento da Embraer em Portugal "em conjugação com um programa de desenvolvimento vai permitir a Portugal crescer de uma forma pouco normal para o setor" aeronáutico. "Vai haver um investimento inicial, um suporte às empresas, a ideia é que daqui a 20 anos se multiplique o nosso investimento, seja em externalidades positivas, seja em retorno sobre o investimento direto com o aumento do PIB. Mas terá este resultado a 15/20 anos", acrescentou. "Tem que haver uma intervenção estratégica e um alinhamento estratégico nacional, nomeadamente governamental. (...) Nunca damos o primeiro passo porque o primeiro passo é bastante doloroso, mas se não o dermos daqui a 20 anos estamos na mesma", concluiu Sérgio da Cunha Oliveira à margem 50.ª edição do Salão Internacional da Aeronáutica, Le Bourget. O certame, na região de Paris, acolhe este ano 19 empresas portuguesas até ao próximo domingo.

As empresas portuguesas presentes na 50.ª edição do Salão Internacional da Aeronáutica procuram "despertar o interesse" do mercado internacional para as capacidades da indústria aeronáutica portuguesa. "O nosso objetivo é, por um lado, dar a conhecer a atividade aeroespacial da Efacec, mas, por outro lado, tentar despertar o interesse", disse à Lusa o responsável pelos projetos da Efacec para o espaço, João Costa Pinto.

Na primeira representação da empresa em Le Bourget, Costa Pinto admite que "o ideal seria captar encomendas", mas que tal se está a revelar "difícil". "O feedback não é entusiasmante", revela, acrescentando que este tipo de feiras "estão feitas mais para vender do que para comprar equipamentos para a construção de satélites", o que pode ser uma razão para o "pouco interesse manifestado".

Na segunda vez que o AICEP organiza um pavilhão nacional na feira de referência para o setor aeronáutico mundial, 3 empresas participam com 'stands' individuais, procurando demonstrar a competitividade e capacidade da aeronáutica portuguesa. O administrador executivo de manutenção e engenharia da TAP, Jorge Sobral, considera este salão "extremamente importante para se fazer contactos", uma "zona onde se encontra todos os potenciais clientes" e onde a empresa se pode dar a conhecer a alguns clientes que não conheçam a sua presença. A TAP traz a este salão uma série de produtos/serviços como manutenção de aviões, reatores, componentes, assim como um serviço de engenharia, planeamento e logística, "um serviço que é integrado e que é apresentado ao cliente como um pacote completo", explica Jorge Sobral.

O presidente da Critical Materials, Gustavo Dias, vê o Le Bourget como um salão "importante para consolidar as relações com alguns clientes". "Na prática, é uma forma de manter a rede de contactos comerciais que o Grupo tem, e por outro lado, ver as novidades e estender a potenciais novos clientes, e esse trabalho tem que ser desenvolvido posteriormente à feira", explica. Além dos serviços típicos que a Critical Software integra, a empresa apresenta no Le Bourget um novo produto, Beyond Logistics - uma ferramenta integrada da gestão de operação e manutenção de sistemas complexos, como aviões.

A Critical Materials tem uma nova versão de um produto que já apresentou e que continua a desenvolver, o Proddia, "que é um produto que permite fazer o diagnóstico e o prognóstico de estruturas críticas, ou seja, estruturas que garantem a segurança de voo das aeronaves", sublinha Gustavo Dias como dois dos produtos que o Grupo traz ao salão. A Critical faz um balanço positivo na promoção da marca e de Portugal como potencial fonte "de soluções tecnológicas para o mundo e para esta indústria em concreto, que é uma indústria global". "Tecnologicamente, acho que temos soluções muito boas, ao nível do melhor do mundo, nas áreas que estamos a desenvolver. Muitas vezes temos alguma dificuldade em aceder aos grandes negócios por não haver uma história de 'know how' tecnológico da indústria e de experiência, e os grandes 'players' têm uma lógica de compra e muitas vezes não integram nessa lógica de compra os nosso produtos/serviços. Temos que ir lutando por esse lugar", conclui Gustavo Dias.

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