"Se quisesse ficar bem na foto já não estaria aqui"

O ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, disse hoje que está a ser preparado um dossier para entregar ao seu sucessor, com as principais medidas a adoptar devido ao acordo com a 'troika'.

"Estamos a elaborar um conjunto de fichas com todas as medidas que vão ter de ser adoptadas até ao fim do ano", disse o ministro cessante, Teixeira dos Santos, à entrada para uma das conferências da reunião anual do Banco Africano de Desenvolvimento, que se realiza em Lisboa até sexta-feira.

Teixeira dos Santos afirmou ainda que sai do Governo de "consciência tranquila, de quem pôs o interesse o país acima do interesse pessoal" e que "se quisesse ficar bem na fotografia já não estaria aqui [no cargo]".

"Fiz o que estava ao meu alcance", acrescentou, dizendo que "perante a gravidade da crise e dos problemas com que Portugal se tem vindo a confrontar não é de estranhar que os portugueses, chamados a votar, tenham optado por uma mudança".

Segundo o ministro, o trabalho está a ser realizado entre o ministério das finanças e os outros ministérios do Governo cessante com o objectivo de deixar ao novo ministro das finanças dados que lhe permitam cumprir os prazos acordados com a 'troika' (constituída pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) no memorando de entendimento para a ajuda externa a Portugal.

O ministro adiantou que "o Ministério das Finanças vai publicar ainda hoje uma lista do conjunto de medidas mais urgentes - as que têm de ser concretizadas até ao final do ano e que resultam do memorando de entendimento".

Teixeira dos Santos explicou que, "para cada uma das medidas mais imediatas - as dos próximos meses -, vai ser feita uma ficha".

Esta ficha "descreve a medida e indica qual é o método e procedimento para a sua implementação, quais são as iniciativas preparatórias que é necessário implementar, quais são as entidades implicadas e outras medidas relevantes associadas a esta, ou seja, medidas das quais esta possa depender ou possa afectar", detalhou.

"Este conjunto de fichas vai constituir um dossier que deixarei ao próximo ministro das Finanças", acrescentou o ministro.

O PSD venceu as legislativas antecipadas de domingo sem maioria absoluta ao conseguir 38,63 por cento dos votos e 105 deputados no Parlamento. Pedro Passos Coelho, o líder do partido, declarou que "está aberto o caminho" para a formação de um Governo de coligação entre PSD e CDS que integre também independentes.

O PS foi a segunda força política mais votada, obtendo 28, 05 por cento dos votos e 73 deputados. O CDS-PP conseguiu 11,74 por cento dos votos e 24 deputados.

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