Schäuble duvida que Grécia cumpra austeridade

O ministro dos das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, manifestou hoje dúvidas em relação ao cumprimento do programa de austeridade por parte da Grécia, segundo deputados democratas cristãos que participaram numa reunião do seu grupo parlamentar.

Quando a "troika" da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI regressar a Atenas, "verificará que a Grécia não cumpre o programa", disse Schäuble, de acordo com as fontes citadas pela imprensa local.

A situação na Grécia "continuará a arrastar-se, independentemente do resultado das legislativas no domingo", prognosticou ainda o ministro.

A aliança de esquerda radical Syriza, que já anunciou a intenção de denunciar o memorando de entendimento com a "Troika", reúne o favoritismo para ganhar as eleições, depois de já ter sido a segunda força política mais votada, a 6 de maio.

Em entrevista que sairá na quinta-feira no semanário Stern, Schäuble mostrou-se otimista quanto ao futuro do euro, apesar da incerteza em relação ao novo governo grego e à crise do setor bancário em Espanha.

"Não creio que as eleições na Grécia impeçam o país de ter de tomar duras medidas de saneamento económico", disse o político democrata-cristão.

Uma eventual saída da Grécia do euro "é praticamente impossível", porque os parceiros europeus não querem nem podem, legalmente, excluir alguém da moeda única, lembrou Schäuble.

"A decisão compete aos gregos, e além disso as desvantagens seriam consideráveis", advertiu o ministro, vincando que a Alemanha "beneficia mais com o euro do que todos os outros, e têm interesse em que a situação se mantenha".

Schäuble advogou ainda na entrevista que, para haver uma Europa mais forte, tem de haver uma política financeira, uma política fiscal e uma política social comum.

Rejeitou, no entanto, a criação de um fundo de amortização das dívidas públicas na zona euro, exigido, por exemplo, pela oposição alemã.

"De momento, esse fundo não é exequível, porque atenta contra os tratados europeus, e sem uma união orçamental não pode um controlo supranacional das responsabilidades financeiras que cada país assumiu", disse ainda o ministro germânico.

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