Ricciardi acusa primo de "infâmia" e culpa accionistas pelo fim do BES

Presidente do BESI disse que Ricardo Salgado tinha gestão centralizadora e que até 2013 não sabia que situação do BESA era tão má

Mais de quatro horas depois da hora marcada para a audição, José Maria Ricciardi sentou-se perante os deputados, fez uma declaração inicial de 15 minutos e começou a responder às questões. Aparentemente calmo e sempre com o advogado ao lado a dar-lhe indicações, Ricciardi não perdoou o ataque do primo Ricardo Salgado - que o antecedeu na sala - e acusou-o de "infâmia". Aos acionistas do GES também os culpou pelo fim do grupo e garantiu que só teve conhecimento de que as coisas não corriam bem em outubro de 2013.

Para Ricciardi a tarde não começava bem. A sua audição foi adiada das 15.00 para as 17.00 e esteve para não acontecer, devido à morosidade do interrogatório a Salgado. Mas o presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI) insistiu em ser ouvido, argumentando que tinha organizado a sua agenda para estar ali e que ia ser difícil encontrar outra data para esclarecer os deputados da comissão de inquérito ao BES. E garantiu que por não estar "sujeito ao segredo de justiça" podia responder a tudo, ao contrário do primo. Os deputados avançaram pelas 19.30 com as questões e a audição ainda decorria quatro horas depois.

O primeiro ataque foi em resposta às declarações feitas pelo primo Salgado em relação à ideia de que ele teria recebido alguma contrapartida para denunciar problemas do grupo ao Banco de Portugal. "É uma verdadeira infâmia", declarou Ricciardi, justificando: "Não basta não ter participado nos atos que eventualmente possam ser considerados eticamente reprováveis ou mesmo ilícitos. É obrigatório quando se tem conhecimento deles não só se opor, fazer exigências para as atas, mas também denunciar os factos que se consideram graves à entidade reguladora."

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