Ricardo Salgado admite novo aumento de capital do BES este ano

O presidente do BES, Ricardo Salgado, admitiu hoje um novo aumento de capital no banco caso tal se revele necessário no âmbito dos testes de 'stress' a que vai ser sujeito pelo Banco Central Europeu e pela Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês).

"Temos dois exercícios pela frente [dos reguladores europeus], só depois disso é que podemos garantir a resiliência dos rácios de capital. Não podemos dizer nesta altura que não vamos ter um aumento de capital", disse Ricardo Salgado, na apresentação dos resultados do BES de 2013, ano em que o banco registou prejuízos de 517,6 milhões de euros.

O presidente do BES considerou que a instituição que lidera tem "bons" 'buffers' de capital, sobretudo com [as novas regras de] Basileia III, mas afirmou que não se pode "cantar glória antes dos exercícios" do BCE e da EBA a que vai ser submetido este ano e que aí será ponderado um aumento de capital.

Já no início da apresentação de resultados, Ricardo Salgado tinha sublinhado que "sem recurso a capitais públicos, o Banco Espírito Santo termina o ano de 2013 com rácios de solvabilidade acima dos mínimos exigidos que lhe permitem enfrentar com redobrada confiança os desafios que se colocam ao setor financeiro em 2014".

O BES fechou o ano passado com um rácio 'core tier 1' (medida de avaliar a solvabilidade de um banco) de 10,6%, segundo o Banco de Portugal, acima dos 10,5% de dezembro de 2012, e 9,8% segundo as regras mais exigentes da EBA, neste caso abaixo dos 9,9% de há um ano.

Já ao abrigo das novas regras de Basileia III, o banco avançou que o rácio 'Common Tier 1' está em 10% (acima do mínimo de 7%), considerando o período transitório e em 8,1% com as regras completamente implementadas.

Ricardo Salgado destacou na conferência de imprensa as principais operações que tiveram impactos positivos sobre os rácios de capital em 2013, com destaque para um contrato de resseguro pelo qual a New Reinsurance (subsidiária da Munich Reinsurance Company) passou a ressegurar toda a carteira de seguro vida risco individual da seguradora do BES (impacto de 40 pontos base no 'Core Tier I') e duas operações de securitização sintética [habitualmente, nestas operações apenas é transferido o risco de crédito e não os ativos] (impacto de 30 pontos base) e o aumento de capital do BES Angola (impacto de 25 pontos base).

Também a venda de imóveis adquiridos por recuperação de crédito teve impacto (10 pontos base), assim como a alienação da participação que o BES tinha na EDP (7 pontos base), afirmou o presidente do BES.

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