Reyal Urbis abre 2.º maior processo de insolvência

A imobiliária espanhola Reyal Urbis comunicou hoje ao mercado que vai apresentar um processo de insolvência -- conhecido como "concurso voluntário de credores" -- depois de não ter conseguido um acordo de refinanciamento da dívida.

O endividamento financeiro líquido da empresa era, no final do terceiro trimestre de 2012, de 3.613 milhões de euros, com os principais credores a incluírem o grupo Caixa Geral de Depósitos, segundo confirmou à Lusa fonte do grupo.

Os credores principais são ainda o Banco Santander, o fundo Appaloosa (comprador da dívida do Barclays), o Banco Popular, o FMS, o EuroHypo, o RBS e o BBVA, lista a que se soma a Fazenda Pública, que tem pendente receber mais de 400 milhões de euros, e o recém-criado banco mau (SAREB).

Este é o segundo maior concurso de credores da história de Espanha, apenas superado pelo da construtora Martinsa-Fadesa, que alcançou, posteriormente à apresentação do concurso, um acordo com a banca para pagar os seus 7.200 milhões de euros de dívida num prazo até 10 anos.

Os problemas da Reyal Urbis começaram a ser conhecidos publicamente em meados de 2011, quando a empresa informou o mercado que, "perante o continuado agravamento da situação geral do setor imobiliário", começava um processo de negociação com os seus credores para garantir a sua atividade a médio e longo prazo.

Desde aí que a empresa tem tentado negociar um acordo com os vários credores que, apesar do "sólido património" da Reyal Urbis se tornou progressivamente mais difícil.

A Reyal Urbis conta com uma das maiores carteiras de ativos imobiliários, com um valor de cerca de 4.194 milhões de euros em junho de 2012, segundo avaliações feitas pela sociedade de avaliadores independentes Jones Lang.

"Constatamos a boa vontade de todas as partes negociadoras mas, no final, não foi possível chegar a um acordo. Apresentamos o concurso voluntário para garantir a continuidade da empresa e preservar os interesses dos clientes, fornecedores, credores, acionistas e empregos da empresa", destaca no comunicado o diretor da empresa, Rafael Santamaría.

Normalmente o "concurso voluntário de credores" é apresentado pelas próprias empresas para evitar que qualquer dos credores solicite a insolvência o que, a ocorrer, dificultaria a margem de manobra na gestão da crise da empresa, neste caso a Reyal Urbis.

"Estamos convencidos de que seremos capazes de encontrar uma solução definitiva que nos permita sair do concurso e continuar a nossa atividade com plena normalidade, porque é a melhor situação para todas as partes", refere Santamaría.

No terceiro trimestre de 2012 -- dado dos últimos resultados oficiais apresentados pela empresa -- a Reyal Urbis registou um resultado liquido negativo de 257 milhões de euros.

A empresa conta com 420 trabalhadores dos quais 137 na atividade imobiliária e 283 na hotelaria.

Hoje, antes da abertura do mercado, a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) tinha suspendido provisoriamente a negociação dos títulos da Reyal Urbis.

A empresa liderou as perdas no mercado contínuo da bolsa espanhola durante praticamente toda a sessão de segunda-feira, ainda que no final do dia os títulos tenham subido 7,8% por se esperar um acordo com os credores.

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