Resposta à crise está a conseguir "reviravolta na economia"

O comissário europeu dos Assuntos Económicos defendeu hoje que a "estratégia" de resposta à crise desenhada pela União Europeia está a conseguir "uma reviravolta" na economia e que a "turbulência política" tem sido prejudicial nos países sob resgate.

Numa audição Parlamento Europeu em Estrasburgo, no Parlamento Europeu, no âmbito da avaliação à atuação da 'troika' nos programas de assistência económico-financeira, Olli Rehn sublinhou várias vezes que estes planos foram sempre negociados com os países visados e que só cabe aos governos nacionais aplicar as medidas acordadas.

Perante os eurodeputados da comissão de Assuntos Económicos e Monetários, e após uma pergunta do centrista português Diogo Feio, o membro do executivo comunitário considerou que o momento mais problemático com Portugal aconteceu nos meses que antecederam a assinatura do programa de assistência, quando Teixeira dos Santos era ministro das Finanças do Governo do PS.

"Acho que o período mais crítico foi do programa ser desenhado, tivemos muitas discussões com o anterior ministro das Finanças de Portugal", afirmou Rehn, lembrando que Portugal estava a pagar juros "muito elevados".

Ao longo de quase duas horas de audição, o comissário europeu apontou no entanto Portugal e a Irlanda como exemplos de recuperação económica e, perante intervenções críticas de vários eurodeputados, respondeu que a Comissão Europeia preferiu "responder à crise" quando podia não o ter feito.

"O problema de insustentabilidade da dívida nos países de programa começaram bem antes e foram os programas é que tiveram de responder a isso, não o contrário (...). No início desta crise da dívida, em 2010, a Comissão podia, em teoria, ter-se envolvido ou não, não havia nenhum mecanismo de estabilidade no tratado de Maastricht, podíamos deixar os países caírem, mas decidimos que essa não era uma forma responsável de agir", sustentou Olli Rehn.

Para o comissário dos Assuntos Económicos, sem este sistema de resgates pela 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) a Europa entraria "em queda livre".

"Estes programas não são perfeitos (...) vivemos num mundo imperfeito, mas esta estratégia está a conseguir uma reviravolta na economia", defendeu.

Na sua intervenção, Rehn repetiu que que os processos de resgate aos vários países têm sido "transparentes" e que todas as partes envolvidas têm sido devidamente responsabilizadas.

Questionado sobre reiterados falhanços nas previsões económicas da 'troika', o comissário europeu ripostou com as crises políticas na Grécia e na Itália, entre 2011 e 2012.

"[Esses erros] foram comuns a todas as instituições internacionais e também a projeções independentes, isto mostra os limites da economia, é uma ciência que tem limites e eles são vistos quando temos descontinuidade política ou determinados fatores imprevistos", declarou.

Em relação a Portugal, o comissário europeu disse ainda que Bruxelas "respeita a ordem constitucional" de cada país e manifestou confiança nas medidas alternativas encontradas pelo Governo liderado por Pedro Passos Coelho, após o chumbo do Tribunal Constitucional.

Rehn adiantou ainda que no início da crise falava praticamente todos os dias com os líderes do FMI e do BCE, na altura Dominique Strauss-Kahn e Jean-Claude Trichet, respetivamente, mas que atualmente essas reuniões trilaterais acontecem mais espaçadamente.

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