Renegociação da dívida não resolve problemas do país

A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) afirmou hoje que renegociar a dívida pública não resolve os problemas de Portugal, comentando as afirmações do presidente do BES, Ricardo Salgado.

Na segunda-feira, Ricardo Salgado considerou ser "muito difícil" saber se a "dívida portuguesa é sustentável" e se é possível evitar a reestruturação da mesma, defendendo a revisão dos juros que estão a ser pagos.

Teodora Cardoso, presidente do CFP, que falava hoje aos jornalistas à margem de uma audição na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, disse que "não se pode pensar que renegociar a dívida é um remédio milagroso que resolva os problemas".

A economista começou por explicar que, se houver uma estratégia que for cumprida, "a reestruturação é uma consequência natural", porque as taxas de juro descem e o acesso aos mercados melhora.

"Uma coisa diferente é haver uma coisa parecida com o que houve na Grécia, ou seja, haver uma reestruturação negociada. Essa renegociação, em termos de resultados, não produziu propriamente grandes efeitos nem nas taxas de juro nem no saldo da dívida. Não podemos pensar que há um remédio milagroso ao reestruturar a dívida que resolva os problemas, continuamos a ter os mesmos problemas", alertou.

Para Teodora Cardoso, o problema de Portugal é aumentar o potencial de crescimento da economia portuguesa, defendendo que isso "não é impossível".

"Temos é de deixar de pensar que podemos crescer à custa de uma de duas coisas: uma é a procura interna continuar a ser financiada pelo exterior e a outra é a de que vamos concorrer nos produtos de mão-de-obra barata", explicou.

"Tem de haver um conjunto de medidas bem pensado entre finanças e economia" e que "é necessário um programa do Governo, não um programa do Ministério das Finanças", adiantou.

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