Recessão maior mesmo que economia não caia mais

A recessão de 2,3% que o Governo prevê para 2013 e que foi inscrita no Orçamento Retificativo deverá ser mais profunda, bastando para isso que a economia estagne ao longo dos três últimos trimestres do ano.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia terá caído 4% em termos homólogos no primeiro trimestre do ano, o segundo pior resultado desde que há registo (primeiro trimestre de 1979, com colagem de dados do Banco de Portugal e com bases de contas diferentes), tendo o pior ocorrido no primeiro trimestre de 2009 (queda de 4,1% do PIB).

Com os dados divulgada hoje pelo INE, o PIB do primeiro trimestre a preços de mercado, na ótica da despesa (dados encadeados em volume), atingiu os 37.867,8 milhões de euros, contra 38.001 milhões de euros registados no quarto trimestre.

Caso este valor do PIB se mantivesse inalterado, ou seja, sem a economia cair mais ao longo deste ano, o PIB real (sem efeito preço) seria de 151.471,2 milhões de euros em 2013.

Com este resultado a economia fecharia 2013 com uma recessão de 2,4%, superior à atualmente estimada pelo Governo e pela 'troika', de 2,3% do PIB, que já foi posta em causa pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que espera uma recessão de 2,7% do PIB este ano.

Também a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), numa análise ao Orçamento Retificativo divulgada hoje, aponta vários riscos à projeção do Governo e da 'troika', como a conjuntura externa e o efeito das medidas de consolidação orçamental no rendimento disponível das famílias, por exemplo.

A hipótese de a economia apresentar uma variação em cadeia nula ao longo dos últimos trimestres do ano é, segundo as previsões da Comissão Europeia, ainda assim, otimista.

Nas últimas previsões, onde aponta para um recuo de 2,3% da economia portuguesa em 2013, a Comissão previa que no primeiro trimestre a economia recuasse 0,1% face ao último trimestre de 2012, mas segundo os dados do INE recuou 0,4%. Já em relação à variação homóloga, a Comissão previa um recuo de 3,7%, mas acabou por se registar uma queda de 4%.

Para os próximos trimestres a Comissão prevê, nas variações em cadeia, recuos de 0,2% e 0,1% no segundo e terceiro trimestre e um crescimento de 0,1% no quarto trimestre. Já em termos homólogos, a Comissão aponta para recuos de 2,9%, 2,1% e 0,3%, respetivamente no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2013.

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