Queixas contra aumento de importações de bacalhau

A Associação dos Industriais de Bacalhau (AIB) queixou-se hoje do aumento da concorrência do bacalhau seco importado da Noruega e defendeu que o produto passe a ter obrigatoriamente o nome do país onde foi transformado.

Segundo a presidente da AIB, Luísa Melo, o volume de importações de bacalhau salgado seco da Noruega cresceu 50 por cento nos últimos cinco anos, devido a uma "grande procura por parte da grande distribuição".

Só no ano passado, de acordo com dados da AIB, Portugal importou 20 mil toneladas de bacalhau seco, o que corresponde a um terço do mercado global português.

"Isto tem pressionado muito a indústria nacional, havendo muitas empresas que estão a passar por dificuldades", disse Luísa Melo, que falava em Ílhavo, durante um encontro com o secretário de Estado da Economia e do Emprego, António Almeida Henriques.

O governante ouviu os lamentos de vários empresários do setor que se queixam que o bacalhau seco importado da Noruega "é de menor qualidade e tem mais água".

A Noruega, referiu o empresário Armelim Coimbra, "está a enviar para cá bacalhau com valores de humidade entre os 51 e os 54 por cento, enquanto que o bacalhau seco nacional tem de ter 47 por cento de humidade", queixando-se de não ter preços para competir com este produto.

Esta é uma das razões que levou a AIB a defender a identificação obrigatória do local onde o bacalhau foi transformado, considerando que este poderá ser um factor distintivo.

"Este é um dos sectores em que os portugueses têm realmente uma vantagem de conhecimento e experiência que lhes permite fazer um produto ímpar", afirmou a presidente da AIB, acrescentando que "o que dá o sabor ao bacalhau é o processo de transformação".

A presidente da Associação dos Industriais de Bacalhau reclamou ainda uma "fiscalização equitativa" de todo o produto que existe no mercado, além de mais financiamento e apoio à exportação.

Na mesma ocasião, foi ainda apresentada uma campanha da AIB com o lema "Sabor de quem sabe melhor" para promover o consumo do bacalhau português.

A campanha, que representa um investimento de meio milhão de euros, inclui um logótipo criado pela associação e que passa a identificar o bacalhau transformado pela indústria nacional.

"Neste momento os associados da AIB têm acesso a este selo, mas qualquer empresa portuguesa que transforme bacalhau pode aderir à campanha", explicou Luísa Melo.

A campanha, que teve início há 15 dias, com anúncios nas televisões e na imprensa, vai prolongar-se no próximo ano, devendo ainda ser alargada aos mercados externos.

A AIB conta com 19 empresas, representando 80 por cento do total do volume de negócios do sector, que ascendeu a cerca de 400 milhões de euros em 2010.

Segundo dados da AIB, o sector emprega mais de 1.500 pessoas e nos últimos anos aumentou em cerca de 15 por cento os postos de trabalho devido ao aumento das áreas de negócio.

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