"Quanto mais tempo demorar a vender o Novo Banco, mais juros recebe o Estado"

Novo Banco faz défice de 2014 subir para 7,2% do PIB. Passos garante que subida não vai ter "impacto no dia a dia dos portugueses". Costa diz que as contas do PS permitem acomodar o "gigantesco buraco".

A capitalização do Novo Banco fez o défice orçamental de 2014 subir para 7,2% do PIB, um valor que fica acima dos 4,5% reportados anteriormente, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Mas o primeiro-ministro assegura que se trata "apenas de uma contabilização puramente estatística sem qualquer impacto no dia a dia dos portugueses".

Pedro Passos Coelho frisou ainda que "quanto mais tempo demorar a vender o Novo Banco mais juros o Estado recebe desse empréstimo", explicando que já ganhou "mais de 120 milhões de euros no último ano".

E o que responde António Costa? O programa eleitoral do PS foi feito com suficiente "realismo" para "acomodar" o "gigantesco buraco" orçamental divulgado pelo INE.

Num almoço-comício em Águeda, o líder do Ps revelou que "as nossas contas foram feitas com muito realismo". "Nós com este resultado não temos de alterar em nada o nosso programa porque tínhamos uma previsão realista", reforçou.

O líder socialista explicou que as projeções do PS para 2015, por exemplo, não partiram, no défice, dos 2,7 estimados pelo Governo mas sim nos 3,2 estimados na Comissão Europeia. O mesmo aconteceu na dívida: o PS não parte dos 107% projetados pelo Executivo mas sim dos 117% da Comissão Europeia.

Já o deputado deputado Pedro Nuno Santos questiona para que serviu a austeridade, e diz que um eventual governo do PS terá agora uma tarefa "mais desafiante" dada a "pesada herança" que conta receber por causa do disparo do défice.

De acordo com a segunda notificação do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE), enviada hoje pelo INE a Bruxelas, em 2014, as administrações públicas registaram um défice orçamental de 12.446,2 milhões de euros, o equivalente a 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O valor agora reportado é uma revisão em alta face ao que tinha sido divulgado na primeira notificação do PDE, uma situação que o INE justifica com "a inclusão de 4,9 mil milhões de euros relativa à capitalização do Novo Banco como transferência de capital".

O INE recorda que, "se não ocorresse a venda do Novo Banco num espaço de um ano, o registo da capitalização seria efetuado de acordo com o caso geral, previsto pelo Manual do Défice e da Dívida das Administrações Públicas, quando estas efetuam uma injeção de capital numa empresa pública".

No entanto, e "atendendo à informação disponível sobre a situação económica e financeira do Novo Banco, a capitalização "foi registada como transferência de capital a favor do mesmo".

Uma vez que a instituição está integrada no setor das sociedades financeiras, "a transferência de capital, que afeta negativamente o saldo do setor das administrações públicas, tem o efeito simétrico sobre o saldo do setor das sociedades financeiras".

O gabinete nacional de estatísticas acrescenta que, "em contrapartida, os pagamentos deste setor ao Fundo de Resolução, entidade incluída no setor das administrações públicas, continuarão a afetar positivamente o saldo das administrações públicas e negativamente o saldo das sociedades financeiras".

O valor do défice divulgado hoje pelo INE é feito em contabilidade nacional, ou seja, numa ótica de compromissos, e a que conta para a Comissão Europeia.

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