PSD destaca que maioria do investimento na TAP é de português e CDS pede "serenidade" ao PS

Social-democratas congratulam-se ainda pela prevista compra de 53 novos aviões para a TAP.

O vice-presidente da bancada social-democrata Luís Leite Ramos sublinhou esta quinta-deira que a maioria do investimento privado previsto para a TAP "é de um empresário português", ao comentar a decisão do Governo de vender a companhia ao consórcio Gateway.

"A maioria do capital é de um empresário português. Este aspeto que foi tantas vezes reclamado e exigido - manter a companhia em mãos de investidores portugueses - hoje, infelizmente, ninguém reconheceu que este é um aspeto essencial pelo qual muitos se bateram e nós também", afirmou, no parlamento, escusando-se a precisar o valor e adiantando apenas que a sua fonte é "gente que acompanha o processo".

O Governo anunciou ir vender o grupo TAP, dono da transportadora aérea nacional, ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano e brasileiro David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, rejeitando pela segunda vez a proposta de Germán Efromovich.

O deputado social-democrata congratulou-se ainda pela prevista compra de 53 novos aviões para a TAP por parte dos investidores, defendendo que esta "é a alternativa que permite à empresa garantir a estabilidade e a consistência do seu projeto de desenvolvimento, fundamental para aquilo de que o país precisa - uma companhia de bandeira, que continue a ter o 'hub' [base de operações] em Lisboa e, sobretudo, a ter um contributo muito importante para o desenvolvimento do turismo".

"Proposta apresentada e selecionada resolve o problema mais importante que é o da liquidez", continuou, salientando os "quase 350 milhões de investimento no capital para garantir o seu desenvolvimento futuro".

CDS apela a serenidade e responsabilidade do PS

O CDS, por outro lado, apelou à "serenidade" e sentido de "responsabilidade" do PS na privatização da TAP, vincando que os socialistas sempre a defenderam quando estiveram no Governo, mas que, agora, na oposição, colocam-na em causa.

Confrontado com a ameaça hoje reiterada pelo PS de fazer reverter este processo se vencer as próximas eleições, o deputado do CDS Hélder Amaral afirmou ter "dificuldade em compreender" os socialistas em matéria de privatização da TAP.

"Estou confiante que as decisões do Governo serão estáveis e para manter, e que o PS será responsável nessa matéria. Tenho alguma dificuldade em perceber um partido que, quando é Governo, desde 1998, sempre quis privatizar ou fundir a companhia - inscrevendo a privatizando no memorando da 'troika' e nos vários PEC [programas de estabilidade e crescimento] -, mas venha agora colocar o processo em causa", apontou o dirigente democrata-cristão.

Hélder Amaral disse que partidos como o PS "não podem dizer uma coisa quando estão no Governo e outra quando estão na oposição". "Espero que a responsabilidade e a serenidade imperem no PS. Estou convencido que o PS será um partido responsável", insistiu.

O deputado do CDS considerou que o processo de privatização é única via para "garantir o presente e o futuro" da transportadora aérea nacional. "Outros objetivos do processo passaram pela manutenção de Portugal como plataforma estratégica [hub] na relação com a América Latina e África e, por outro lado, que a proposta aceite deveria ser aquela que garantisse capitalização à companhia. A única solução para garantir o presente e o futuro da companhia foi esta que o Governo encontrou", sustentou o deputado democrata-cristão eleito pelo círculo de Viseu.

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