Produtores de legumes perderam 2ME numa semana

Os produtores portugueses de legumes já tiveram dois milhões de euros de prejuízos nesta semana devido à quebra no consumo associada ao surto de infecção com a bactéria E.coli, que já matou 16 pessoas, segundo uma associação do sector.

O presidente da Portugal Fresh, Manuel Évora, disse à Lusa que o consumo de pepinos e curgetes teve uma quebra de 80 a 90 por cento e o de outros produtos hortícolas, como a alface e o tomate, rondou os 20 por cento. Os pepinos espanhóis foram apontados inicialmente como a origem deste surto infecioso que resultou na morte de 16 pessoas na Alemanha, mas as autoridades daquele país afastaram entretanto esta hipótese, estando a origem da contaminação ainda a ser investigada.

A crise está a provocar prejuízos elevados aos agricultores europeus e Portugal não é excepção, embora Manuel Évora tenha reafirmado a segurança alimentar dos produtos nacionais. "Os produtos portugueses são controlados e seguros", disse, sublinhando que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) tem promovido fiscalizações no terreno e não encontrou motivos de preocupação.

O responsável da Portugal Fresh estimou que os agricultores já perderam cerca de duas mil toneladas de produtos hortícolas que não conseguiram escoar ou foram vendidos a preços muito baixos. "A nossa produção é programada no campo em função do consumo e o mês de Junho é precisamente aquele em que mais se consomem saladas. É o mês das festas, das sardinhadas e dos santos populares", adiantou Manuel Évora. "Logo por azar surgem estas notícias que estão a criar uma crise de confiança no consumidor", desabafou.

O presidente desta associação de promoção do sector horto-frutícola, que representa 23 empresas, salientou que os mercados e a grande distribuição não estão a absorver os produtos como era previsível. O mesmo está a acontecer a nível internacional, com os importadores espanhóis a fecharem as portas. "Se isto continuar, estes prejuízos vão multiplicar-se todas as semanas, vai ser gravíssimo para os agricultores", acrescentou.

Manuel Évora apelou à tranquilização dos consumidores portugueses frisando que Portugal tem áreas de estufa e produção suficientes para alimentar os consumos de saladas totalmente com legumes nacionais.

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