Processo sobre excedentes comerciais deve ser resolvido pelo diálogo, diz embaixada alemã

O representante da embaixada alemã em Lisboa afirmou hoje que a preocupação da Comissão Europeia com o excedente comercial da Alemanha, que levou à abertura de uma investigação aprofundada, deve ser resolvida através do diálogo.

"Somente um diálogo construtivo permite abordar objetivamente esta temática atual", afirmou em declarações à Lusa o encarregado de negócios da embaixada e que está a dirigir até janeiro a representação na ausência do embaixador.

Segundo Robert Weber, "o historial da Alemanha no projeto de integração europeia demonstra prontidão à resolução conjunta de desafios partilhados".

A Alemanha é um dos 16 estados que a Comissão Europeia decidiu investigar no âmbito do "mecanismo de alerta de desequilíbrios macroeconómicos", devido ao excedente comercial, estando a ser ponderadas para a primavera eventuais recomendações.

No dia em que anunciou a decisão (quarta-feira), o presidente da Comissão Europeia sublinhou que "a Europa não está contra a competitividade" da Alemanha, mas que esta "pode fazer mais" para apoiar o crescimento europeu.

Robert Weber defendeu que "enfraquecer a Alemanha nos mercados globais significaria enfraquecer a Europa toda" e sublinhou que "a solvabilidade alemã junto dos mercados financeiros internacionais é a coluna vertebral dos fundos de resgate europeus".

Além disso, destacou, o excedente comercial da Alemanha (acima do 6% do Produto Interno Bruto) é "predominantemente com os mercados extracomunitários e não com os parceiros europeus".

Segundo o diplomata, somente 37,4% das exportações alemãs se destinam à zona euro, o que representa, ainda assim, uma queda de 2,2% face ao valor do ano passado.

"Entre 2007 e 2013, o excedente relativo aos mercados europeus quase diminuiu para metade, enquanto, face à zona euro, até diminuiu para mais de metade", disse, defendendo que "estes factos têm ajudado os parceiros europeus -- especialmente aqueles sob ajustamento -- nesta fase de crise económica".

"Não existe essa 'muralha' entre norte e sul da Europa", afirmou Robert Weber, considerando que "nem o excedente caracteriza a Alemanha, nem a austeridade o sul da Europa".

Robert Weber é atualmente e até janeiro do próximo ano o representante da embaixada alemã em Portugal, depois do embaixador Helmut Elfenkämper se ter reformado e deixado a representação diplomática a 31 de outubro.

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