Presidente do CES defende novo modelo económico

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, defendeu a necessidade de um novo modelo económico para o país, baseado na produção de bens transacionáveis, que gere credibilidade e confiança.

"A nossa crise foi muito profunda e não vai ser possível voltar ao ponto de partida. O modelo económico que vigorava no país até 2011, baseado na construção civil, no imobiliário, no crédito fácil, no consumo e no investimento público, esgotou-se", disse Silva Peneda em entrevista à agência Lusa.

Na opinião do presidente do CES, o país está a atravessar "uma fase de transição".

"Vamos ter uma rotura e precisamos criar um novo modelo económico para o país", disse.

Silva Peneda assumiu ter "uma visão para o país" que passa por um novo modelo económico baseado na produção de bens transacionáveis e que tire partido das vantagens competitivas de Portugal.

O antigo ministro do Emprego de Cavaco Silva disse que "algo se vai passar" a partir de junho de 2014, quando terminar o programa de assistência financeira a Portugal, e esse será o momento de afirmar a capacidade e a credibilidade do país.

Defendeu que, para isso, é necessário um programa de médio prazo sustentado por "um alto nível de compromisso" que inverta o atual ciclo económico.

Segundo Silva Peneda, o modelo a desenvolver de forma gradual, um programa para o futuro, deve basear-se no triângulo: crescimento económico, consolidação orçamental e reforma do Estado.

"O gradualismo é a arte fina da política, pois não acredito em medidas abruptas na economia e na política", disse, acrescentando que "terá de ser feito um esforço para décadas".

O crescimento económico terá de ser o principal objetivo pois, de contrário, os problemas não se resolvem, nomeadamente o desemprego, defendeu.

"O desemprego não se resolve se o país não crescer, no mínimo, a 2%", afirmou.

Silva Peneda assumiu que se tivesse, numa primeira fase, de apostar na criação de emprego de forma imediata apostaria no setor do turismo, "que se tem portado muito bem, tal como a agricultura".

Ao mesmo tempo investiria na indústria, mas com a perspetiva de que a criação de emprego iria ser mais demorada, com o objetivo de produzir mais bens transacionáveis.

"Durante muito tempo apostou-se numa estratégia de produção de bens não transacionáveis, mas a quebra na aposta dos bens transacionáveis levou ao empobrecimento regional", considerou.

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