Presidente da TAP saúda desconvocação da greve e espera que trave danos

O presidente da TAP espera que a desconvocação da greve possa travar os danos que o anúncio da paralisação estavam a provocar à companhia, saudando os trabalhadores pelo sentido de responsabilidade que diz ter sempre acreditado que ia prevalecer.

Numa carta enviada aos trabalhadores após o anúncio do sindicato na quinta-feira à noite de que a greve marcada para junho e julho estava desconvocada, e a que a Agência Lusa teve acesso, Fernando Pinto "saúda" a decisão, que espera que trave "os danos que estavam a ser causados à companhia e a desviar passageiros" para a concorrência.

"O importante agora é tentar minimizar, e mesmo recuperar, os danos resultantes do anúncio da greve, permitindo a retoma da confiança por parte dos nossos passageiros", pode ler-se ainda na carta.

Fernando Pinto diz que "nunca" deixou de acreditar que "acabaria por prevalecer o bom senso e o sentido de responsabilidade da generalidade do pessoal de cabina", mas sublinha que é importante "retirar alguns ensinamentos deste diferendo [entre administração e tripulantes], para que não voltem a cometer-se alguns erros e excessos".

A paralisação, de dez dias, convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, estava marcada para 18, 19, 20, 25 e 26 de junho e para 01, 08, 15, 22 e 29 de julho. A greve foi marcada depois da administração da empresa ter decidido reduzir um tripulante em cada voo. Uma decisão que, segundo disse antes o vice-presidente da TAP à Lusa, Luiz Gama-Mór, põe "a companhia em linha" com o número de tripulantes que é praticado pelas grandes transportadoras aéreas.

Em declarações à Agência Lusa, Ricardo Andrade, dirigente do sindicato, disse que o pré-aviso de greve ia ser retirado, depois de a estrutura e a TAP terem chegado a um entendimento, com a mediação do Ministério do Trabalho.

De acordo com Ricardo Andrade, o memorando de entendimento alcançado consagra a "melhoria dos descansos dos tripulantes", pretendida pelo sindicato, e a redução de um tripulante nos voos anunciada pela transportadora.

Já sobre este entendimento, Fernando Pinto diz na carta que "o diálogo desenvolvido nos últimos dias (...) permitiu encontrar soluções equilibradas, que não põem em causa os compromissos a que estamos obrigados em matéria de redução de custos, e atendem aos efeitos na atividade dos tripulantes em resultado da redução das tripulações-tipo".

O presidente da TAP sublinha "o facto de ter sido possível encontrar formas alternativas de satisfazer todas as partes sem provocar aumento de custos para a empresa", uma solução que, relembra, "nem de outro modo poderia ser, face às restrições e outras condicionantes a que a TAP -- como todo o setor público -- está obrigada".

Ainda sobre este memorando de entendimento, o dirigente sindical acrescentou, sem precisar prazos, que "nos próximos dias" a TAP e o sindicato vão assinar "um regime transitório", prévio à renegociação do Acordo de Empresa.

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