Portugal importa do Japão um triplo do que vende

Portugal aumentou em 48,5 por cento as exportações para o Japão em 2010 face ao ano anterior, para 128,4 milhões de euros, o que ainda assim representa cerca de um terço do valor das importações portuguesas do país nipónico.

Mais de um quarto das exportações portuguesas para o Japão em 2010 foram máquinas, aparelhos e materiais eléctricos, no valor de 37,5 milhões de euros, seguido de produtos químicos orgânicos, preparações de produtos hortícolas e frutas. De acordo com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o calçado e a cortiça ocuparam a quarta e quinta posição de produtos mais exportados para terras nipónicas, com 7,6 e 6,1 milhões de euros respectivamente.

A administradora da Vieira de Castro disse à Lusa que "ainda é cedo" para saber o impacto do sismo nas exportações para o Japão, que está entre os dez principais mercados da empresa de Famalicão, adiantando que a questão do abastecimento não se colocou, porque "o distribuidor local tem capacidade de armazenagem para vários meses".

A marca portuguesa de calçado Goldmud tem vindo a ganhar clientes no Japão, que representa cerca de dez por cento das vendas, e o responsável Miguel Abreu admite algum "medo" quanto à evolução dos negócios apesar de "os pagamentos estarem a ocorrer com normalidade". Já o designer Luís Onofre, que fornece uma rede de lojas em Tóquio, sentiu o impacto na feira ModaCalzado, em Madrid, que se realizou dois dias após o sismo, marcada pela "ausência de clientes japoneses", que têm cada vez mais peso para o sector do calçado.

De terra do sol nascente, Portugal importa sobretudo veículos automóveis, tractores e outros veículos terrestres, que representam 44 por cento das compras, no valor de 160 milhões de euros. Fonte da Toyota Caetano Portugal disse à Lusa que "o contexto atual não terá interferência no mercado português nem ao nível do fornecimento de viaturas -- a maior parte dos modelos Toyota são produzidos na Europa e os comerciais na África do Sul --, nem de peças para pós-venda ou de componentes necessárias para a laboração da fábrica em Ovar".

A Nissan Portugal também garantiu que "a curto prazo não se prevê nenhum impacto", dada a capacidade instalada na Europa que fornece cerca de 80 por cento dos veículos da marca vendidos no velho continente. "A médio prazo, poderá haver problemas de fornecimento de componentes, mas estamos convencidos que será residual", acrescentou.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações portuguesas para o Japão recuperaram terreno em 2010, depois de, entre 2007 e 2009, terem caído de 298,6 para 86,5 milhões de euros. Depois de uma queda nas importações de produtos japoneses para menos de metade em 2009 face ao ano anterior, em 2010 as importações portuguesas com origem no Japão aumentaram 42 por cento para 362,8 milhões de euros. Contas feitas, Portugal tem uma balança comercial desfavorável com o Japão, em 234,4 milhões de euros, que é quase o dobro das exportações nacionais para o Japão que perdeu para a China o posto de segunda maior economia do mundo em 2010.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG