Portugal é "visto pelos investidores de forma diferente"

O presidente da NYSE Euronext Lisboa, Luís Laginha de Sousa, é da opinião que a melhoria da perceção internacional sobre o país possibilitou a recuperação das cotadas portuguesas na fase final de 2012.

"Aquilo que nos apercebemos é que, nesta segunda metade do ano, Portugal começou a ser visto pelos investidores internacionais de forma diferente. E isso contribuiu para uma tendência - que se reforçou agora mais para a parte final do ano - de valorização [das ações cotadas na bolsa de Lisboa], de diminuição do prémio do risco e de maior apetência pelo mercado português", disse à agência Lusa Luís Laginha de Sousa, presidente da NYSE Euronext Lisboa.

Em meados de novembro, o principal índice da bolsa portuguesa negociava em terreno negativo, contudo, desde então, valorizou mais de 10% o que lhe permite chegar ao fim do ano com ganhos. Até sexta-feira, penúltimo dia de transações na praça acionista lisboeta, o PSI20 avançava 3%.

Um movimento que acompanhou inversamente a forte queda verificada na taxa de juro implícita das Obrigações do Tesouro português, a 10 anos (prazo de referência em termos internacionais), que recuou de 8,9% a 15 de novembro para 7% na sexta-feira, uma descida que traduz a melhoria da perceção de risco dos investidores sobre a capacidade de Portugal honrar os seus compromissos no mercado de dívida.

Refira-se que a marca dos 7% foi estipulada pelo anterior Governo como a barreira que separava o país de uma intervenção internacional, que se veio a concretizar. Na quinta-feira, a 'yield' [taxa] a 10 anos chegou mesmo aos 6,98%, ou seja, o nível mais baixo dos últimos 22 meses.

"Se o caminho se mantiver, é expectável que a evolução se mantenha também em 2013 e gostaríamos que assim fosse, na medida em que Portugal acabou por ser mais penalizado em anos anteriores do que outros países com os quais estava alinhado", frisou o presidente da gestora da bolsa portuguesa. Só em 2011, o PSI20 desvalorizou 21%, depois de ter perdido 10% em 2010.

Laginha de Sousa reforçou que "desde que continue o seu caminho de correção [dos desequilíbrios orçamentais e da dívida pública] e de convergência, é natural que possa haver uma melhoria maior do que nos outros mercados".

Ainda assim, o novo ano trará um novo desafio à gestora da bolsa portuguesa, que passa pela possível diminuição da atratividade do mercado português devido ao aumento da carga fiscal.

"Tudo o que é aumento da carga fiscal não são boas notícias. Mas nós temos que ter consciência daquilo que era uma prioridade absoluta para Portugal, que é conquistar a credibilidade internacional. Portanto, esse é um sacrifício que é prioritário, face à relevância do objetivo", frisou o responsável.

Na sua opinião, "aquilo que é fundamental é que possam ser, a curto prazo, dados sinais de que haverá uma inversão desta situação. Porque, para o mercado, é importante não só o que é a situação hoje, mas também a perspetiva de evolução" futura.

"Temos a noção que o nível de fiscalidade hoje é altamente penalizante para aqueles que devemos estimular a investir e a produzir riqueza. Temos que rapidamente dar sinais que os levem a acreditar que isto é uma situação temporária e que iremos caminhar para um nível de fiscalidade que faça sentido e que seja verdadeiramente um estímulo à geração de riqueza, investimento e emprego em Portugal", concluiu.

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