Portugal deve optar por saída 'à irlandesa' dizem analistas

Portugal deve optar por uma saída do programa de ajustamento 'à irlandesa', isto é, sem um programa cautelar, aproveitando a queda acentuada das taxas de juro e as suas reservas financeiras significativas, segundo analistas citados pela AFP.

Segundo David Schnautz, analista do Commerzbank, "tudo indica que Portugal irá sair 'à irlandesa', sem rede de segurança explícita".

"De qualquer forma, os países da zona do Euro fizeram já saber que estão prontos a apoiar Portugal, em caso de necessidade", acrescentou.

A agência noticiosa francesa cita o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, que hoje, num discurso em Lisboa, afirmou: "Estamos em condições de apresentar aos portugueses a nossa estratégia orçamental para os próximos anos e ao mesmo tempo mostrar aos portugueses que a caminho que percorremos até aqui permite-nos hoje caminhar pelas nossas posses e pelos nossos meios a partir de agora".

O chefe do Governo prometeu anunciar sua decisão após a última visita da 'troika' a Portugal, que está ainda em Lisboa, e "antes de 05 de maio", data da próxima reunião dos ministros das Finanças da zona Euro.

Tal cenário, confirmaram à AFP uma fonte europeia e analistas europeus, era inimaginável no verão passado, quando o país foi abalado por uma grave crise política que fez tremer os mercados.

Três anos após a concessão de ajuda internacional no valor de 78 mil milhões de euros, Portugal será, a partir de 17 de maio, o segundo país a sair da assistência financeira da zona Euro, depois de a Irlanda se ter libertado da tutela dos credores internacionais, sem pedir qualquer rede de segurança.

Passos Coelho, escreve a AFP, tinha sugerido na semana passada que, mesmo se Portugal optasse por um retorno direto aos mercados, poderia ser negociado posteriormente um programa de atendimento.

A posição de alguns países como a Alemanha, que deu clara preferência por uma saída sem rede, também deve pesar na decisão de Passos Coelho.

Esta saída é a opção preferida por Berlim, relutante em aceitar a ideia de uma possível linha de crédito de precaução pelo Bundestag.

Nas eleições europeias, que se realizam de 22 a 25 de maio, os governos da zona Euro preferem apresentar o caso de Portugal como um exemplo de sucesso da aplicação de remédios 'troika' -- União Europeia (UE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu -, bem como a Irlanda.

"Eu acho que Portugal vai optar por uma linha de saída sem programa cautelar, pois tem havido uma recuperação na economia e as condições financeiras dos mercados", disse à AFP o analista Pedro Lino, da Dif Broker.

Além disso, "se o Governo anunciasse um programa de precaução, daria armas para a oposição dizer que todos os esforços portugueses têm sido em vão", afirmou Pedro Lino.

Graças a uma ampla baixa das taxas de juro, em abril as de Portugal caíram para 3,6%, a mais baixa desde fevereiro de 2006, depois de terem subido aos 18%.

Portugal marcou, no passado dia 23 de abril, o seu regresso aos mercados financeiros, tendo feito a primeira emissão regular de dívida a longo prazo desde 2011.

Este sucesso reforça a ideia de uma saída do programa, sem uma rede de segurança, escreve a AFP.

Uma vez encontrada a independência financeira, Portugal continuará, todavia, a submeter-se ao exame das suas contas por parte da UE e do FMI.

"É uma ilusão acreditar que as exigências da disciplina fiscal desaparecerão com o fim do programa. O país continuará sob vigilância até que 75% do empréstimo tenha sido reembolsados, o que não vai acontecer antes de 2035", alertou o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em declarações recordadas pela AFP.

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