Portugal defende a suspensão do aumento das quotas

França e Alemanha reclamam, juntamente com Portugal, novos apoios para sector leiteiro para combater a queda dos preços.

Um grupo de 16 países da União Europeia, entre os quais Portugal, pediu ontem a Bruxelas a adopção de medidas adicionais de modo a travar a queda dos preços do leite no produtor. O documento será discutido no conselho informal em Vaxjo, na Suécia, durante a próxima semana e votado dia 28 em Bruxelas, mas conta com a oposição da maioria dos países nórdicos e, em vários pontos, da própria comissária Europeia da Agricultura, Mariann Fischer Boel.

A proposta - que tem o apoio da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Portugal e Roménia - defende a suspensão temporária do aumento das quotas leiteiras em 2010- -2011. Outra proposta é o aumento do valor das ajudas estatais permitidas sem o aval de Bruxelas para 15 mil euros. Ideias que não têm o apoio da comissária Europeia da Agricultura e da presidência sueca da UE. "Não vamos reintroduzir o que já foi suprimido", salientou Mariann Fischer Boel.

Após a reunião em Bruxelas, o ministro da Agricultura português adiantou que outra medida sugerida é a rotulagem obrigatória das embalagens de leite. Jaime Silva explicou que esta alteração permite saber "quem produziu, quem transformou, quem embalou e como chegou à prateleira do supermercado". O grupo dos 16 quer ainda aumentar o preço de intervenção, para ajudar a minimizar a crise.

Os produtores de leite passam, a partir de hoje, a poder também renegociar com os bancos os empréstimos obtidos através da linha de crédito para o sector agrícola. José Oliveira, da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), considera esta uma "proposta positiva", mas salienta que "para os produtores portugueses é importante colocar em funcionamento a linha de endividamento em moldes diferentes ". E diz que a linha deve ser para um período de dez anos com dois de carência e não para seis, como foi estipulado pelo Governo. "A suspensão das quotas também é fulcral, porque, senão, daqui para dois ou três anos estaremos numa situação igual ou pior do que a actual."

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