Portugal contra recapitalização dos bancos

Portugal está entre os países que se estão a demonstrar contra uma recapitalização coordenada dos bancos europeus afectados gravemente pela dívida grega, juntamente com a Espanha e Itália, noticia a France Presse, citando fontes diplomáticas.

No segundo dia de uma maratona de negociações em Bruxelas, os ministros das Finanças da Zona Euro "ainda não chegaram a acordo para recapitalizar os bancos", avança um diplomata, acrescentando que o grupo está num impasse.

Portugal, Espanha e Itália terão sido os países que mais veementemente se opuseram à proposta, justificando-se com o custo que teriam de suportar para o fazer.

Um acordo nesta matéria - que pode envolver 108 mil milhões de euros, como tem sido avançado por vários órgãos de comunicação social internacionais - está no entanto dependente de outra maratona negocial relativa ao nível de "perdão" da dívida grega.

Em cima da mesa estará, segundo a AFP e outros meios, um "perdão" nunca inferior a 50 por cento da dívida grega, tendo já sido mesmo noticiado que o mais que provável "Haircut" (desconto ou "perdão") pode chegar aos 60 por cento do valor da dívida total da Grécia, que em troca receberia um novo pacote de ajuda dos parceiros europeus.

O problema está no facto de muitos bancos italianos e espanhóis, mas também franceses, terem visto nas últimas semanas os seus 'ratings' serem cortados devido à sua exposição à dívida grega.

A Comissão Europeia quer que os bancos aumentem os seus rácios de capital primários (Core Tier 1) para nove por cento - à semelhança do que os bancos portugueses já estão obrigados ao abrigo do acordo com a União Europeia e Fundo Monetário Internacional - mas a comunidade bancária vê a proposta com maus olhos.

A Associação Europeia de Bancos (EBA, sigla em inglês) estimou que seriam necessários entre 80 e 100 mil milhões de euros para aumentar o capital dos principais bancos (as instituições com dimensão sistémica) para os níveis de capital que a Comissão Europeia considera necessários. O FMI estima que seja necessário o dobro deste valor.

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