Portugal coloca hoje nova linha de Bilhetes de Tesouro

O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) realiza hoje um leilão da nova linha de Bilhetes de Tesouro, com um montante indicativo entre 750 milhões de euros e 1000 milhões de euros.

"O IGCP vai realizar no próximo dia 16 de Fevereiro pelas 10:30 horas um leilão da linha de BT com maturidade em Fevereiro de 2012, com um montante indicativo entre 750 milhões de euros e 1000 milhões de euros", anunciou a entidade na sua página electrónica. A 19 de Janeiro, na última emissão semelhante à que está anunciada, com maturidade de 12 meses, o IGCP pagou um juro de 4,029 por cento para uma colocação de 750 milhões de euros, tendo a procura sido ultrapassado 3,1 vezes a oferta.

Também esta manhã, o Estado vai recomprar dívida que vencia em Abril e Junho deste ano, num montante que depende "das condições do mercado", de acordo com o IGCP. "O saldo vivo destas Obrigações do Tesouro é de 4,532 mil milhões e 4,958 mil milhões de euros, respectivamente", acrescenta a instituição. As competências do IGCP prevêem também este instrumento de reembolso antecipado ou a recompra de dívida antes do fim da maturidade. Segundo o gestor do mercado de dívida do Banco Carregosa, Filipe Silva, operações deste tipo "dão uma imagem positiva para os mercados de que o Estado tem liquidez e quer usá-la para cumprir com as suas responsabilidades".

Além do sinal de confiança que Portugal dá aos mercados, uma operação recompra pode mesmo "sair mais barata" aos cofres do Estado. Filipe Silva explica que, no caso da linha de obrigações cuja maturidade termina em Abril, o Estado tem de pagar 4,532 mil milhões de euros pela colocação das obrigações a que se soma 145,024 milhões de euros de juros corridos, no total de 4,677 mil milhões de euros. "Se assumirmos que o Estado recompra agora essa dívida, vai poupar mês e meio de juro corrido. Mesmo que pague mais 10 milhões no preço [das obrigações], se poupar 20 milhões de juro corrido acaba por ter um lucro financeiro de 10 milhões", explicou o gestor de dívida do Banco Carregosa, acrescentando que só é possível saber se esta operação é "financeiramente vantajosa após ser conhecido o preço a que o Estado fez a recompra".

O Estado português estima as necessidades de financiamento para 2011 em cerca de 20 mil milhões de euros. "A dívida que o Estado pretende emitir este ano serve para pagar o défice, para pagar a dívida que vence este ano e ainda para financiar despesas de contas correntes e mesmo os juros que têm de se pagos em 2011", disse à agência Lusa Filipe Silva.

O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) emite dívida pública através essencialmente de obrigações e bilhetes do tesouro - o grosso dos instrumentos de financiamento e que se destinam a investidores institucionais - mas também através de certificados de aforro e certificados do tesouro, adquiridos preferencialmente por particulares. Até 7 de Fevereiro, quando o Tesouro português fez uma emissão de dívida sindicada de 3,5 mil milhões de euros a uma taxa de 6,5 por cento, o Estado assegurou 30 por cento das necessidades de financiamento deste ano de médio e longo-prazo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG