Plano de Emergência Social cria "estigmas" e "exclusão"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje em Gaia o Programa de Emergência Social do Governo, considerando que o documento cria estigmas, perpetua situações de pobreza e constitui uma "migalha" que não resolve os problemas.

"Vem o Governo agora com um plano de emergência social para acudir aos pobres, dizem eles. É evidente que um pobre gosta de qualquer ajuda, de qualquer solidariedade, mas o grande drama é a marca de classe dessa mesma medida", alertou Jerónimo de Sousa, num comício em frente ao mar, na Alameda do Senhor da Pedra, em Gulpilhares (Gaia).

Para o comunista, algumas das medidas previstas no Programa de Emergência Social (PES) contribuem mesmo para aumentar a exclusão.

"Isto tem uma marca, que é excluir, criar um estigma aos pobres", lamentou, referindo-se às medidas que prevêem que os mais carenciados fiquem "com os restos" dos medicamentos e ao abrandamento da fiscalização da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) em instituições de solidariedade.

"Já tinham inventado que para os pobres fossem os restos dos restaurantes, agora inventaram uma outra, que é o resto dos medicamentos. Chegam ao ponto em que mesmo em relação a uma questão de saúde pública, o Governo admite proibir a ASAE de verificar a sanidade das refeições servidas aos pobres", observou.

A questão, explicou, é que "um pobre gosta de ser ajudado, mas o que quer, fundamentalmente, é deixar de ser pobre", encontrando "soluções para a sua vida" e não perpetuando a sua situação de pobreza.

É "neste quadro que vemos com cinismo falarem da pena dos pobres", quando na verdade "estão a roubar o pão a muitos e depois dão uma migalha para compensar", considerou Jerónimo de Sousa.

Reiterando que o actual Governo PSD/CDS tem sido "mais troikista do que a troika", nomeadamente no que toca aos cortes previstos no subsídio de natal, o comunista alertou para o futuro impacto da subida de impostos e da "tentativa de embaratecer e facilitar" os despedimentos.

O secretário-geral do PCP referiu que "se este Governo está a aplicar, em dose reforçada, a política do Governo anterior", o resultado só pode "ser o mesmo", e disse que o executivo deve "exigir, no seio da União Europeia, que se criem condições para renegociar a dívida".

Para sair da crise, é ainda necessário, na sua perspectiva, "produzir mais e melhor", apostando "na agricultura, no mar ou no subsolo".

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