Paralisação do projecto português cria "dificuldades"

O ministro do Fomento espanhol insistiu hoje que Espanha mantém os seus calendários e objectivos para as ligações de alta velocidade ferroviária até à fronteira com Portugal, admitindo porém "dificuldades" devido à eventual paralisação do projecto português.

José Blanco referiu-se hoje ao assunto numa intervenção no Congresso de Deputados, onde reafirmou que o Executivo quer manter os objectivos para as ligações de alta velocidade tanto na ligação por Badajoz como na Galiza. Mas reconheceu que os objectivos "não estão isentos de dificuldades" dado o que se passa em Portugal.

"Este é um problema também para os objectivos que traçámos no Governo de Espanha", disse. Considerando que se trata de um projecto onde os dois países "trabalham em conjunto" recordou que não se pode fazer investimentos tão elevados para uma ligação "que não vai a lado nenhum".

O Governo espanhol tem insistido que mantém as ligações até à fronteira com Portugal nos calendários previamente acordados com Portugal.

Por seu lado, o Executivo português diz que só pode avançar com as obras da ligação de alta velocidade no troço Poceirão-Caia depois do visto prévio do Tribunal de Contas, o que deve demorar pelo menos um mês, disse à Lusa fonte da tutela na terça-feira.

Fonte oficial do ministério das Obras Públicas lembrou que o TGV sempre foi considerado pelo Governo como uma prioridade no que diz respeito ao troço Poceirão-Caia porque "já tinha as taxas de juro negociadas e estava concursado e adjudicado", mas sublinhou que as obras só podem avançar após o visto prévio do Tribunal de Contas (TC).

"O troço Poceirão-Caia decorre com a sua tramitação normal e aguarda o visto prévio", declarou, acrescentando que foram pedidos esclarecimentos adicionais sobre o contrato. Quanto ao troço Poceirão-Lisboa, que incluiu a Terceira Travessia sobre o Tejo, as "obras não estão concursadas e estão a ser reavaliadas, tendo em conta a situação financeira do país", adiantou Paulo Lagarto.

O concurso Poceirão-Lisboa foi anulado em setembro de 2010 e o Governo tinha seis meses para lançar o novo concurso, prazo que terminou a 17 de Março.

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