Papandreou defende ajuda "coletiva" para Portugal

Ex-primeiro-ministro socialista afirma que os "mercados vão continuar os ataques" e defende que a União Europeia deve reagir em conjunto.

O ainda líder do PASOK, Georges Papandreou, disse hoje em Atenas que a Europa está dominada por conservadores que "não vêem o caminho" e defendeu que países como Portugal devem ser ajudados através de medidas coletivas.

"Portugal está a tentar fazer o melhor para seguir em frente, mas a minha experiência diz que os portugueses podem fazer tudo o que precisam. Mas, dado que estamos numa união monetária, estamos ligados, e por isso precisamos de medidas ao nível da União Europeia", defendeu Papandreou após um encontro com jornalistas europeus que a Lusa acompanhou em Atenas.

"Sem medidas, os mercados vão continuar os ataques, ou porque estão preocupados, ou porque querem especular ou porque os mercados sentem o risco e isto pode ser determinante para os portugueses. Por isso, acredito que é preciso uma posição coletiva para conseguir tempo para os portugueses conseguirem implementar as mudanças necessárias. Isto é muito importante e só pode vir da Europa", sublinhou o ex-primeiro-ministro do PASOK, que participa no Governo de coligação da Grécia.

Georges Papandreou, sem citar nomes, indicou que os conservadores europeus são um dos problemas para a criação de um plano económico comum no continente.

"Precisamos de investir em comunicações, em energia, transportes e em educação, isto é o que pode criar emprego e tornar-nos competitivos. Só assim conseguimos entrar no bom caminho, mas infelizmente a Europa é dominada por conservadores que não veem isto com muita clareza, mas espero que as coisas mudem", explicou Papandreou.

"São precisos passos importantes no sentido da monitorização e creio que precisamos também de um programa de crescimento para estimular a economia, e que a possa tornar mais competitiva e ao mesmo tempo enviar uma mensagem forte aos mercados de que estamos na Europa e que temos de proteger o euro e as pessoas", referiu ainda Papandreou rejeitando as medidas de austeridade sem que sejam acompanhadas de investimento.

"O problema agora é sabermos de que forma nos podemos tornar competitivos num mundo em que os mercados são muito fortes. Competitividade significa investimento e se não conseguirmos fazer isto a nível nacional, como na Grécia ou em Portugal, temos de fazer cortes. Por isso, são precisas medidas a nível europeu", concluiu.

Georges Papandreu, ex-primeiro-ministro do Governo socialista grego, anunciou no sábado que vai abandonar a liderança do PASOK abrindo caminho à candidatura de Evangelos Venizelos, ministro das Finanças, nas eleições para a presidência do partido no dia 18 de março.

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