Países decidiram troika e "muitos" quiseram FMI

O comissário europeu para os Assuntos Económicos disse hoje, em Bruxelas, que composição da 'troika' foi decidida pelos Estados-membros, acrescentando que "muitos" países "insistiram" na presença do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Olli Rehn, que falava no Parlamento Europeu, respondia a uma pergunta da eurodeputada Elisa Ferreira (PS), que voltou a questioná-lo sobre uma recomposição da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI), com a eventual saída do FMI.

"Com o 'two pack' [segundo pacote sobre a governação económica] e com uma lógica mais estável da agenda, não seria este o momento oportuno para, no próximo Conselho [Europeu], o processo das 'troikas' ser substituído por um método europeu", perguntou a eurodeputada Elisa Ferreira ao comissário europeu, durante uma audição conjunta nas comissões de Assuntos Económicos e Monetários e de Emprego e Assuntos Sociais do Parlamento Europeu, que também contou com a presença do comissário do Emprego, László Andor.

Na resposta, o comissário Rehn reiterou que as "decisões que levaram à criação do atual modelo da 'troika', constituída por três instituições foram tomadas pelos Estados-membros da zona euro, em 2010", acrescentando que, na altura, "muitos Estados-membros insistiram para que o FMI fizesse parte da 'troika'".

"Esse é o mandato que estamos a respeitar", disse Olli Rehn.

Durante o debate, o eurodeputado Diogo Feio (CDS-PP) perguntou aos dois comissários de que forma é que analisam a situação genérica dos países que estão sob programa de ajustamento (Portugal, Irlanda, Grécia e Chipre).

Olli Rehn reafirmou, em resposta, que o ajustamento português está "no caminho certo" e adiantou que a Comissão Europeia está a trabalhar para que a saída de Portugal do programa de resgate seja bem-sucedida, dando como exemplo a extensão, em sete anos, dos prazos para o pagamento do empréstimo europeu.

A eurodeputada Marisa Matias, do Bloco de Esquerda (BE), confrontou o comissário Olli Rehn com os erros nas previsões feitas pela 'troika' para Portugal: "Foi cem por cento de falhanço", disse.

Já a eurodeputada social-democrata Regina Bastos afirmou, por sua vez, que "Portugal tem vindo a realizar um grande esforço" e perguntou aos dois comissários se estão a ser equacionadas medidas específicas para o país.

O comissário responsável pela pasta do Emprego recordou que, na semana passada, esteve reunido com o Presidente da República, Cavaco Silva, em Bruxelas, tendo o tema do desemprego dos jovens sido "debatido detalhadamente" e destacou o programa português Impulso Jovem.

Na semana passada, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, sugeriu uma reponderação da composição da 'troika', com a saída do FMI, afirmando que a instituição e a União Europeia (UE) tem objetivos e visões diferentes.

Na altura, o presidente da Comissão Europeia disse que existem condições para que, "no futuro", os planos de resgate sejam apenas da responsabilidade das instituições europeias, mas salientou que tal não se aplicaria ao programa português em curso.

Antes, o 'think tank' (grupo de reflexão) Bruegel já havia sugerido a criação de um Fundo Monetário Europeu, uma nova instituição europeia que ficaria responsável pela negociação, financiamento e monitorização dos programas de resgate, em substituição do FMI.

Também o membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE) Jörg Asmussen já havia admitido, a 08 de maio, no Parlamento Europeu, o fim da 'troika' na sua composição atual, mas apenas quando o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) se tornasse uma instituição "plena" da UE.

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