"O ministro Paulo Macedo tem sensibilidade social"

Correia de Campos não tem saudades de ser ministro. Não lhe fazem falta as más notícias "diárias e inevitáveis" nem os ataques pessoais. Entrevistado pelo Dinheiro Vivo e pela TSF, o ex-ministro admite que a ADSE é um mau sistema. E que mais vale chamar uma ambulância do que ir a uma urgência.

O governo quer cortar quatro mil milhões na despesa do Estado. É possível fazer um corte desta dimensão sem pôr em causa o papel do Estado?

Acho ridícula essa proposta. Esse corte, entre aspas, tem de ser visto num contexto mais global das políticas públicas. Qual é a estratégia do governo? A estratégia do governo é só cortar? É o que parece. Se for, vai ser um desastre. É evidente que tendo uma tesoura na mão pode cortar-se tudo, até se pode cortar a própria roupa e passarmos a andar nus na rua.

O PS faz bem em recusar entrar nesse diálogo?

Absolutamente, é impossível entrar no diálogo assim. Acho indecorosa esta proposta, não é possível.

Mas face à urgência desse corte, os quatro mil milhões, face ao que foi programado com a troika, ao nível de cortes, qual seria a sua opção?

Não. Isto não foi programado com a troika. Isto é o corte que resulta do erro da execução orçamental de 2012. O governo está agora a tentar tapar esse buraco depois de, pelo seu erro, ter desencadeado uma repressão económica fortíssima, impedindo que a economia continuasse a funcionar. No próximo ano vai ser o mesmo. Isto não tem nada que ver com a troika! São erros da governação atual.

Na saúde, Paulo Macedo garante que o sector vai ser pouco afetado por este corte de quatro mil milhões. Acredita nisso?

Espero que sim. Tenho alguma confiança no Dr. Paulo Macedo. Tem sido uma pessoa com sensibilidade social. Mesmo assim ainda é possível melhorar o desempenho da saúde, é possível melhorá-la nos hospitais porque aí não se atuou praticamente. É possível melhorá-la nos cuidados primários de saúde, prolongando o número de unidades de saúde familiar, alargando a todo o país as unidades de saúde familiares, que são demonstradamente mecanismos em que a gestão exercida pelos clínicos sobre a despesa desencadeada por uma consulta, ou seja, medicamentos e meios complementares de diagnóstico, transportes, pode ser controlada pela consciência que os próprios têm de que estão inseridos numa gestão pública.

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