Novo Banco: Oferta do Anbang é válida. Este grupo chinês ainda está na corrida

O Banco de Portugal quer fechar negócio com a Fosun em duas semanas. Se falhar, vai a Apollo a jogo. Está ainda prevista uma quinta fase, que será de último recurso.

Os chineses do Anbang não conseguiram chegar a acordo com o Banco de Portugal para a compra do Novo Banco. No entanto, se a quarta fase do processo - a que envolve negociações privadas com os dois candidatos ainda na corrida, primeiro com a Fosun e depois com Apollo - não correr como o esperado, poderá ainda voltar a jogo.

Como? É que no âmbito do processo de venda está prevista ainda uma quinta fase que retoma as propostas vinculativas apresentadas pelos três candidatos finais na tentativa de se concluir a venda.

Estas propostas vinculativas têm validade até meados de outubro e, sabe o Dinheiro Vivo, a intenção do regulador é que se aproveite essa última oportunidade. A retoma à estaca zero implica, no entanto, um enfraquecimento da posição do Banco de Portugal que, a acontecer, já se terá sentado à mesa com estes candidatos sem conseguir um acordo para o NB.

Seja como for, o primeiro objetivo é outro: vender o Novo Banco no prazo de dez dias úteis e já à Fosun, o candidato que se segue, depois de falhado o acordo com o Anbang. O grupo chinês já recebeu o convite para as negociações, confirmou o DN/Dinheiro Vivo junto de fonte ligada ao processo.

Com presença em Portugal, depois da compra dos seguros Fidelidade e da ES Saúde (agora Luz Saúde), o grupo chinês liderado por Guo Guangchang admitiu, nesta terça-feira à Reuters que está "comprometido" com Portugal. Não era, no entanto, esperado que fossem estes os candidatos que se seguem no processo de venda, depois de a proposta do fundo norte-americano de private equity, Apollo, ter sido apontada como a segunda mais elevada.

O Banco de Portugal, porém, nunca avançou com nomes de candidatos, prática que repetiu nesta terça-feira quando deu conta de que tinha sido falhada a negociação com o Grupo Anbang, cuja oferta expirou à meia-noite desta segunda-feira. "Por não ter sido alcançado um acordo, o Banco de Portugal decidiu hoje terminar aquelas negociações e convidar para negociações, no âmbito da Fase IV, o potencial comprador que apresentou, na fase anterior, a proposta qualificada em segundo lugar", afirmou o regulador.

As propostas dos vários grupos que fizeram uma oferta vinculativa ao Banco de Portugal não são totalmente comparáveis, podendo o valor absoluto oferecido ser variável mediante fatores como capitalização ou contingências futuras. O Banco de Portugal tem, no entanto, a missão de tentar vender o banco ao melhor preço possível para ajudar a minimizar o impacto no défice e no Fundo de Resolução da banca. Das três propostas vinculativas apresentadas, a da Anbang era a que globalmente oferecia melhores condições, mas ainda assim era insuficiente para o regulador. As negociações serviram para tentar subir a parada, tal como agora acontecerá com a Fosun, que tem, por si só, uma proposta inferior a esta primeira, o que, naturalmente, acarreta maiores perdas face aos 4900 milhões injetados no NB. Se o Novo Banco for vendido abaixo do valor injetado, será o fundo de resolução, ou seja, os outros bancos, a suportar as perdas. Tudo aponta para que haja perda, mas a expectativa do setor é de que não haja um impacto material para a banca, podendo essa falta ser colmatada de forma faseada.

Assim, apesar da escolha deste grupo chinês, cujo presidente é considerado o Warren Buffet da Ásia, pelo grande número de aquisições que faz - compraram recentemente o Cirque du Soleil e também são donos da empresa turística Club Med -, a Apollo ainda não saiu definitivamente de jogo. Tal como aconteceu há duas semanas, também agora se mantêm válidas as duas propostas, o que significa que, caso a Fosun falhe um acordo, a Apollo terá ainda uma oportunidade para negociar.

O que falhou com o Anbang

A pesada herança que o BES deixou ao Novo Banco foi o maior entrave para que o Anbang e o Banco de Portugal chegassem a acordo. Em cima da mesa das negociações estiveram questões como os lesados do papel comercial, mas também o processo que o Goldman Sachs colocou nos tribunais de Londres e que, a vencer, poderá custar mais de 700 milhões ao novo dono do banco.

As razões internas para a incerteza não terão ficado por aqui, dizem os analistas de mercado, lembrando que o prejuízo de 252 milhões reportado pelo NB no pri- meiro semestre também não terá ajudado. O resultado foi prejudicado por uma prática antiga do BES, que permitia a grande clientes pagarem juros com novos créditos. Estas grandes operações custaram 103 milhões.

O panorama externo também não ajudou, revelam os analistas. Fontes do mercado financeiro lembram a crise financeira na China que levou a Bolsa para o pior ciclo em 19 anos. Isto, naturalmente, "prejudica a capacidade de financiamento das empresas chinesas", referem. Mas sublinham que "a Anbang não é uma cotada, não se conhece bem a sua alavancagem e as suas participações em empresas chinesas. É difícil perceber o valor do impacto".

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