"Não é nada connosco", diz Stock da Cunha. Mas está disponível para colaborar

O presidente do Novo Banco, entidade de transição resultante da intervenção pública no BES, assegurou hoje que está disponível para colaborar com as autoridades na investigação aos indícios criminais relativos à administração de Ricardo Salgado.

Questionado sobre a sua disponibilidade para colaborar nas buscas conduzidas pela Polícia Judiciária (PJ) que estão em curso em diversos locais da grande Lisboa no âmbito das investigações ao caso BES, inclusivamente, na sede do Banco Espírito Santo (BES), que é no mesmo edifício da sede do Novo Banco, Stock da Cunha confirmou-a.

"Se são temas do BES, são temas do BES. Naquilo que exija algum trabalho do Novo Banco, é evidente que a resposta é sim", afirmou aos jornalistas à margem da cerimónia de entrega dos prémios relativos ao concurso nacional de inovação, promovido pelo Novo Banco, em Lisboa.

"Por acaso, a sede do BES é na Avenida da Liberdade, 195. A haver alguma coisa, penso eu que é do BES. Ao BES o que é do BES, ao Novo Banco o que é do Novo Banco", salientou o gestor.

E reforçou: "O Novo Banco nasceu no início de agosto, estamos a falar de situações anteriores a agosto de 2014, não é nada connosco".

Perante a insistência dos jornalistas acerca das buscas ao BES, Stock da Cunha reafirmou que, sendo presidente do Novo Banco, só comenta assuntos da entidade que lidera.

A PJ está hoje a realizar buscas domiciliárias e não domiciliárias no âmbito de um processo-crime que envolve o BES, disse à Lusa fonte policial.

A mesma fonte adiantou que a operação decorre na zona da grande Lisboa, pressupõe cerca de 60 buscas domiciliárias e não domiciliária e envolve cerca de 200 inspetores da PJ.

O processo, que decorre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), foi instaurado após uma participação do Banco de Portugal.

Após rebentar o chamado caso BES, a PGR criou uma equipa especial para investigar as alegadas irregularidades e os ilícitos criminais na gestão daquele banco, sendo a equipa multidisciplinar constituída por magistrados do DCIAP, elementos da Autoridade Tributária, da PJ e dos reguladores - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Banco de Portugal.

A 03 de agosto, o BdP tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.

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